Novak Djokovic ainda respira no Open dos EUA

Kei Nishikori será o adversário do sérvio nas meias-finais.
Foto
Novak Djokovic Reuters/Jerry Lai

Novak Djokovic não tem dúvidas: “Este é o Open dos EUA mais duro em termos de condições atmosféricas dos últimos 10 anos.” A exibição irregular, física e mentalmente, diante de John Millman veio confirmar as dificuldades do sérvio para chegar às meias-finais pela 11.ª vez nos últimos 12 anos (não competiu em 2017), Foi a terceira vitória de Djokovic no Open em três sets, mas alcançada em duas horas e 49 minutos, muito por culpa também de Millman, que regressou ao Arthur Ashe Stadium depois de eliminar Roger Federer e complicou a tarefa ao salvar 16 de 20 break-points.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

Desde o início do encontro que o sexto jogador do ranking lutou contra o elevado calor e humidade. Houve momentos em que chegou a dar a ideia que ia cair, ao ficar completamente desequilibrado após algumas pancadas. Mas foi o próprio Millman (55.º) que lhe permitiu que voltasse a respirar melhor: a 2-2 no segundo set, o australiano pediu ao árbitro para sair do court para trocar o equipamento todo ensopado – o que foi atendido ao abrigo da regra do Uso de Equipamento Adequado e por a água que caía no court o tornava escorregadio – e perguntou a Djokovic se ele se importava. Ao que o sérvio prontamente anuiu com um sorriso pois estava a precisar de descansar um pouco.

Djokovic sentou-se, tirou a camisola, mas também aproveitou para falar com o médico, tomar uns comprimidos e utilizar um spray nasal e ingerir uma bebida, entregues pela sua equipa técnica. Comprimidos de sal? “Não, quero dizer, não posso falar disso”, afirmou, antes de referir-se às condições. “Nunca suei tanto como aqui. Incrível, tenho de levar 10 camisolas para cada encontro. Perguntei ao árbitro se havia ar condicionado ou algum tipo de ventilação porque, seja de dia ou de noite, não há ar ali em baixo, é como uma sauna”, explicou o sérvio.

O break a 4-4 – o segundo em 14 oportunidades – desfez o equilíbrio até então e nem a resiliência de Millman voltaram a colocar em causa a superioridade do campeão de Wimbledon, que depressa se adiantou no terceiro set, para 3-1. Nem uma advertência por exceder o tempo entre pontos – que conduziu a uma dupla-falta – seguida de outra infracção igual que só lhe permitiu efectuar um serviço – e permitiu ao australiano devolver o break que tinha de desvantagem lhe tiraram o foco na vitória, por 6-3, 6-4 e 6-4.

Pela segunda presença consecutiva numa sessão nocturna no Arthur Ashe Stadium, Millman saiu sob uma enorme ovação, mas será Djokovic que, na meia-final, vai defrontar Kei Nishikori (19.º), também ele regressado à melhor forma após uma lesão no pulso direito que pôs fim à época de 2017, em Julho.

Quatro anos depois de ter sido derrotado por Marin Cilic (7.º) na final do Open, o japonês vingou-se, ao impor-se ao fim de quatro horas: 2-6, 6-4, 7-6, 6-4 e 4-6. Ao servir para se manter no encontro, já depois de recuperar da desvantagem de um break, o croata cedeu o quinto break. Também semifinalista em 2016, Nishikori venceu Djokovic aqui, nas meias-finais de 2014, mas perdeu os 13 duelos seguintes.

Com a vitória de Nishikori, o Japão tem pela primeira vez representantes nas meias-finais dos quadros de singulares masculinos e femininos. Naomi Osaka (19.ª), de 20 anos, tinha-se qualificado antes e defrontava na noite de quinta-feira Madison Keys (14.ª), depois da vice-campeã de 2017 ter superado a espanhola Carla Suárez Navarro (24.ª), por 6-4, 6-3.