Autonomias

“Bigamia” e “ciúme” no debate do estado da Região da Madeira

A estreia da nova liderança mostrou um CDS apostado em ser “pivot”, após as regionais. PSD e PS andam próximos nas sondagens.
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Miguel Albuquerque GC

Numa altura em que a incerteza em relação às eleições regionais do próximo ano é muita — PSD e PS têm andado próximos nas sondagens —, havia a expectativa de perceber, nesta quarta-feira, como se posicionaria no parlamento madeirense o CDS, que elegeu nova liderança no último fim-de-semana. Rui Barreto substituiu António Lopes da Fonseca e o antigo líder José Manuel Rodrigues foi “repescado” para o novo cargo de presidente do partido. É com esta equipa que o CDS vai tentar ser o “pivot” das regionais de 2019, se não houver maioria absoluta.

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Foi por isso sem surpresa que Barreto, na intervenção inicial que fez no debate do estado da região, tratou de distanciar o partido da restante oposição. Dirigindo-se ao presidente do governo regional, Miguel Albuquerque, Barreto disse-lhe que pode contar com o CDS para “defender a Madeira”, e que o PSD cometerá um erro, se colocar toda a oposição no “mesmo saco”.

Na bancada do PSD, Jaime Filipe Ramos registou a “disponibilidade” com ironia. “Um bom cristão não deve procurar a bigamia”, disse, numa referência à posição do CDS na Câmara do Funchal, onde muitas vezes vota ao lado do executivo de Paulo Cafôfo, o independente que será cabeça de lista do PS nas regionais. Barreto não desarmou ante o “ciúme” do PSD. “Será o CDS a escolher a noiva, e não a noiva a escolher o CDS.”

As metáforas sucederam-se à direita. Albuquerque desafiou os centristas a não serem como uma “rapariga que vai com todos”, aconselhando o deputado do CDS Mário Pereira a perder o complexo de “menina feia”, que ninguém convida para dançar. O que o PSD queria, respondeu este, era uma bengala. “Não vai ter, porque o CDS não apoia projectos falhados”.

Sobre o estado da região, poucas novidades: governo do PSD a falar de “cumprimento dos compromissos eleitorais” — crescimento económico há 59 meses, descida para metade da taxa de desemprego, investimento recorde na saúde ou reposição integral do tempo de serviço dos professores; e oposição a rebater esses dados. O CDS alerta para a “estagnação” e diz que Lisboa não pode ser culpada de tudo, enquanto o PS dá o exemplo da contestação à nova Lei das Finanças Locais, que o Funchal considera inconstitucional, para acusar o governo madeirense de criar casos políticos para desviar as atenções.

O Bloco, através de Roberto Almada, insistiu que o cerco à Madeira não é feito pela República, mas pelos interesses económicos que comandam as políticas do PSD. A deputada comunista Sílvia Vasconcelos criticou as políticas sociais, pedindo um aumento de 7,5% do salário mínimo regional.