PS-Madeira reúne Estados Gerais a pensar nas regionais do próximo ano

Socialistas madeirenses reabrem neste sábado as portas do partido, à procura de contributos para ganhar a Madeira em 2019

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O independente Paulo Cafôfo, autarca do Funchal, é o candidato do PS-Mà liderança do governo regional em 2019 Rui Gaudencio

Quando em Março de 2012, a um ano e meio as autárquicas, o PS-Madeira decidiu abrir as portas do partido a um ciclo de debates sectoriais, a que chamou Laboratório de Ideias, descobriu uma nova geração de políticos, como Liliana Rodrigues, José Miguel Iglésias ou Paulo Cafôfo.

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Quando em Março de 2012, a um ano e meio as autárquicas, o PS-Madeira decidiu abrir as portas do partido a um ciclo de debates sectoriais, a que chamou Laboratório de Ideias, descobriu uma nova geração de políticos, como Liliana Rodrigues, José Miguel Iglésias ou Paulo Cafôfo.

A primeira, que coordenou a iniciativa, viria a ser eleita dois anos depois para o Parlamento Europeu. Cafôfo ganhou em 2013 a Câmara do Funchal ao PSD e Iglésias, que o acompanhou como chefe de gabinete, é vice-presidente do partido e um dos principais estrategas do PS-Madeira. 

Seis anos depois, agora com as regionais de 2019 no horizonte, os socialistas madeirenses repetem a fórmula. A I Convenção dos Estados Gerais do PS-Madeira, que arranca neste sábado no Funchal, coloca o partido a olhar para fora dos gabinetes da sede e dos corredores do parlamento regional, à procura de um programa de governo e de massa crítica para o executar. Para já, o PS-Madeira conta com Paulo Cafôfo – o autarca, independente, que em Outubro segurou o Funchal, agora com maioria absoluta –, e com o apoio, claro, do Largo do Rato. Tudo para tentar destronar o PSD do governo do arquipélago, onde sempre esteve desde o início da autonomia.

Com Cafôfo, os socialistas procuram capitalizar a popularidade do autarca do Funchal que, mesmo não sendo militante, será o candidato do partido à presidência do governo madeirense. E têm aproveitado a taxa de aceitação de António Costa, para encurtar distâncias para o PSD de Miguel Albuquerque.

Se em 2012 o Laboratório de Ideias foi feito praticamente com a "prata da casa", os Estados Gerais levam ao Funchal figuras de peso do panorama político nacional. À cabeça, dois ministros do Governo de Costa: Adalberto Campos Fernandes (Saúde) e Manuel Caldeira Cabral (Economia). Depois, o director-geral da Política do Mar, Rúben Eiras, e o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

“Quisemos integrar pessoas competentes, qualificadas e capazes, para podermos debater as áreas que são estruturantes para o futuro da Madeira e, junto com cada equipa, criarmos o melhor programa de governo para o futuro da Madeira”, comunica ao PÚBLICO o secretariado dos socialistas madeirenses, acrescentando que os coordenadores das áreas sectoriais “querem contribuir” para a mudança política no arquipélago. Pessoas, continua a mesma entidade, com provas dadas nas respectivas áreas profissionais, que estão motivadas para a construção de um novo modelo de desenvolvimento para a Madeira.

Entre os nomes escolhidos, contam-se figuras próximas de Carlos Pereira, o anterior líder socialista derrotado nas internas de Janeiro por Emanuel Câmara, que convenceu os militantes com a garantia de que seria Cafôfo, e não ele, o candidato do partido em 2019. O vice-presidente da associação empresarial mais representativa do arquipélago, a ACIF, que é simultaneamente administrador de um dos maiores grupos económicos da ilha, é outro dos coordenadores.

O convite tem valido críticas dos partidos à esquerda do PS, que tentam uma colagem dos socialistas ao statu quo alimentado pelo PSD, enquanto, à direita, são as presenças do Adalberto Campos Fernandes e Manuel Caldeira Cabral que são censuradas, por representarem, na narrativa social-democrata, mais um exemplo do “servilismo” do PS-Madeira a Lisboa.

“Foram escolhidas pessoas competentes, qualificadas, de diferentes quadrantes da sociedade civil madeirense, da universidade, das empresas, da administração pública, as quais irão coordenar cada uma das áreas sectoriais definidas”, respondem os socialistas, que consideram os Estados Gerais como um fórum para a sociedade civil. O partido, refere o secretariado, espera que haja uma grande mobilização dos cidadãos que queiram dar o seu contributo para a construção do programa de governo do PS-M.

Este sábado, serão debatidas cinco áreas principais: Saúde; Economia; Turismo; Educação; Igualdade e Desenvolvimento Social. Na II convenção, programada para o início do próximo ano, o partido vai discutir os sectores do Mar e Ambiente, Cultura, Coesão Territorial, Agricultura e Ordenamento Florestal e Finanças.

“Seremos o projecto mais bem preparado, mais debatido e mais escrutinado, para podermos ganhar a confiança de todos os madeirenses e porto-santenses e promovermos a mudança política histórica na Região”, garantem os socialistas.