Papa nomeia bispo de Leiria-Fátima como cardeal

Anúncio foi feito neste domingo pelo Vaticano.

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D. António Marto atrás do Papa Francisco durante a visita a Fátima no ano passado PAULO PIMENTA

O Vaticano anunciou neste domingo a criação de novos 14 cardeais, entre eles D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. O consistório, em que serão formalizados os novos cardeais da Igreja Católica, realiza-se a 29 de Junho, em Roma.

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O Vaticano anunciou neste domingo a criação de novos 14 cardeais, entre eles D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. O consistório, em que serão formalizados os novos cardeais da Igreja Católica, realiza-se a 29 de Junho, em Roma.

António Marto é o bispo de Leiria-Fátima desde 2006. Nessas funções, recebeu no Santuário de Fátima os dois últimos Papas: Bento XVI, em 2010, e Francisco, no ano passado, por ocasião do centenário das aparições.

Em comunicado, o Santuário de Fátima anuncia a novidade como “um momento de grande importância e jubilo” e vê-a como “uma deferência para com Fátima".

António Marto é também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa desde Abril de 2014. Antes de ser nomeado bispo de Leiria-Fátima, foi bispo auxiliar de Braga, entre 2001 e 2004, e bispo de Viseu, nos dois anos seguintes.

Em declarações à agência Lusa, após ser conhecida a notícia da sua nomeação como bispo, D. António Marto afirmou estar envolvido na reforma da Igreja, considerando que "é necessária" e "para levar para a frente". "Mesmo quando me despedi dele [Papa Francisco] aqui em Fátima [aquando da visita papal do ano passado], disse assim: 'Santo padre, a reforma da igreja é para levar para a frente'. E ele disse-me: 'Sim, é para levar para a frente'", acrescentou o bispo.

"Este Papa está a levar para a frente uma reforma da igreja, para que seja mais evangélica. Isto é a marca do pontificado. Uma igreja que estende pontes para todos os lados, e que não vive fechada em si, que não é autorreferencial", elogiou ainda.

António Marto descreve à agência noticiosa que estava a paramentar-se para a missa deste domingo quando soube que tinha sido nomeado, através de uma mensagem de voz da Nunciatura Apostólica, mas saiu da sacristia e prosseguiu com a cerimónia: "Não estava à espera, fiquei surpreendido, nervoso, apetecia-me chorar, mas contive-me, procurei manter a calma durante toda a celebração e não dizer a ninguém".

Marto, que completou 71 anos no início deste mês, nasceu em Tronco, aldeia do concelho de Chaves, e estudou nos Seminários de Vila Real e do Porto, antes de ser ordenado padre em Roma no ano de 1971. Permaneceu em Roma até 1977, onde estudou Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Ali fez o seu doutoramento, com a tese: Esperança cristã e futuro do homem. Doutrina escatológica do Concílio Vaticano II.

A partir de então, e até ao ano 2000, altura em que foi nomeado bispo, António Marto trabalhou na formação de candidatos ao sacerdócio no Seminário Maior do Porto e foi docente de diversas áreas da teologia no Instituto de Ciências Humanas e Teológicas, no Centro de Cultura Católica, na Faculdade de Teologia e na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, sempre na cidade do Porto.

D. António Marto junta-se assim a D. José Saraiva Martins, D. Manuel Monteiro de Castro e D. Manuel Clemente no Colégio Cardinalício. Torna-se o quinto cardeal português do século XXI e o segundo a ser designado desde o início do pontificado do Papa Francisco.