Caldas da Rainha

Ligação da Lagoa de Óbidos ao mar já foi reaberta

Canal que permite a entrada de água do mar na lagoa e a subsistência de peixes e bivalves, encontrava-se fechado desde o dia 11, devido à formação de bancos de areia que impediam a passagem da água.
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O canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar foi reaberto esta sexta-feira na Foz do Arelho, numa intervenção das autarquias das Caldas da Rainha e Óbidos para evitar a morte de peixes e bivalves.

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"As marés permitiram hoje uma janela de oportunidade, aproveitada para fazer entrar água do mar na lagoa a partir das 10h00 e vai ser aproveitada a vazante, prevista para as 14h00, para que a força da água rasgue ainda mais o canal", disse à agência Lusa Humberto Marques, presidente da câmara de Óbidos.

A intervenção, iniciada na segunda-feira pelas autarquias das Caldas da Rainha e de Óbidos, com supervisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), visava reabrir a “aberta”, canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar.

O canal, que permite a entrada de água do mar na lagoa e a subsistência de peixes e bivalves, encontrava-se fechado desde sexta-feira passada, devido ao assoreamento e à formação de bancos de areia que impediam a passagem da água.

Num esforço conjunto, as duas autarquias ribeirinhas mobilizaram para o local máquinas que, ao longo da semana, procederam à retirada de areia na praia da Foz do Arelho [concelho das Caldas da Rainha] de forma a "redefinir um novo local para a “aberta”, cerca de 40 metros a Norte" do local assoreado, disse na altura à Lusa Humberto Marques.

A intervenção, que dependia das correntes e da altura das marés, foi ao longo de sexta-feira sendo complementada "com a retirada de mais alguma areia nos locais em que isso se revelar necessário". A nova aberta será "monitorizada até ao início da próxima semana para garantir que os objectivos foram conseguidos", revelou o autarca.

A obra surgiu na sequência das preocupações manifestadas por duas dezenas e meia de mariscadores e pescadores da Lagoa de Óbidos no início de Maio.

Os pescadores concentraram-se na Foz do Arelho exigindo medidas urgentes para a reduzida ligação da lagoa ao mar, que alegavam estar a causar a morte do marisco.

A “aberta” acabou por fechar totalmente alguns dias depois, o que levou à realização de uma reunião de emergência entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que tutela aquele ecossistema, as duas câmaras e as quatro freguesias ribeirinhas banhadas pela lagoa.

A APA "reconheceu a emergência da intervenção" e delegou nas duas câmaras a retirada de areia suficiente para repor a ligação ao mar.

O fecho da aberta é uma situação recorrente na lagoa, onde o ano passado foi efectuada a primeira fase de um projecto de dragagens.

A primeira fase, que contemplava a retirada de 650 mil metros cúbicos de areia do leito da lagoa, terminou em Fevereiro do ano passado.

A segunda fase de dragagens da Lagoa de Óbidos, visando a retirada de mais 750 metros cúbicos de areia, está prevista para arrancar em Outubro deste ano, no âmbito de um concurso financiado pelo POSEUR - Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos - para as lagoas costeiras.

A Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, com uma área total aproximada de 6,9 km2 onde recorrentemente é necessário intervir para evitar o assoreamento.

Para evitar a morte de bivalves e garantir a continuidade daquele ecossistema foram efectuadas dragagens desde 1995, a maior das quais entre o final de 2011 e início de 2012, período em que foram dragados dois milhões de metros cúbicos de areia.

O projecto de dragagens actualmente em curso previa, na primeira e na segunda fase, a dragagem de 1,5 milhões de metros cúbicos de areia, mas a APA admitiu nas reuniões da comissão que, no final das duas fases, o valor total seja superior.