Demitida directora de medicina interna do Hospital de Faro

O afastamento, diz a administração do hospital, foi ditada por motivos de gestão. Os clínicos denunciam trabalho em “em situações desumanas” nesta unidade de saúde.

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Imagem de arquivo do Hospital de Faro VíRGILIO RODRIGUES

Dos três directores da Medicina Interna do Hospital de Faro, que há um mês puseram o lugar à disposição, Ana Lopes foi a única que o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHUA) decidiu substituir. A decisão, justificou a administração, foi ditada por motivos de “gestão”, não colocando em causa a competência profissional 

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Dos três directores da Medicina Interna do Hospital de Faro, que há um mês puseram o lugar à disposição, Ana Lopes foi a única que o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHUA) decidiu substituir. A decisão, justificou a administração, foi ditada por motivos de “gestão”, não colocando em causa a competência profissional 

Na base da demissão está uma carta em que a médica, membro do Colégio da Especialidade de Medicina Interna da Ordem dos Médicos, se insurgia contra a falta de recursos. Os clínicos, denunciou, na altura, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), são forçados a “dar alta” aos doentes de forma precoce, por falta de camas. 

O afastamento desta dirigente clínica motivou uma reacção de solidariedade dos colegas, traduzida numa carta dirigida ao Conselho de Administração, questionando os reais motivos da demissão. Trata-se de uma médica de “excelente capacidade profissional e de liderança” que dirigia uma equipa que trabalha em “situações desumanas que poucos compreendem ou valorizam”. 

Questionada pelo PÚBLICO, a presidente do CHUA, Ana Paula Gonçalves, limitou-se a dizer que a decisão “foi tomada no âmbito das competências que estão conferidas ao conselho de administração, por motivos de gestão”.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM), na altura, subscreveu as críticas apresentadas pela directora no que diz respeito às “altas forçadas” e à falta de condições de trabalho. Por seu lado, a administração do CHUA negou as críticas, alegando que “em momento algum pediu aos directores que adoptassem modelos que colocassem em causa as boas práticas clínicas”. Os colegas de Ana Lopes, entretanto, escreveram à administração a dizer que “todos os elementos do Serviço de Medicina Interna” se revêem nas críticas feitas pela ex-directora.