Gulbenkian vai vender a sua petrolífera Partex

Fundação vai sair da energia e viver apenas das aplicações financeiras

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Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian Nuno Ferreira Santos

A Fundação Calouste Gulbenkian vai vender a sua petrolífera Partex a uma entidade chinesa, na que é considerada a maior viragem do modelo de financiamento da instituição criada a partir do rendimento do petróleo.

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A Fundação Calouste Gulbenkian vai vender a sua petrolífera Partex a uma entidade chinesa, na que é considerada a maior viragem do modelo de financiamento da instituição criada a partir do rendimento do petróleo.

"Em caso de acordo nas negociações, a recomposição do património da fundação continuará, como no passado, a garantir a realização de todas as actividades filantrópicas da instituição que Calouste Gulbenkian quis ver como perpétua e destinada ao bem da humanidade", diz a instituição em comunicado.

A FCG adianta ter recebido várias manifestações de interesse. Quanto às negociações em curso, "findo o processo de análise de todas as condições, será tomada uma decisão de acordo com a defesa dos melhores interesses da fundação".

No mesmo comunicado, a Fundação afirma que "tem vindo a equacionar a alienação dos investimentos nos combustíveis fósseis (que representaram cerca de 18% dos ativos em 2017), tendo em conta uma nova matriz energética e os seus objectivos em prol da sustentabilidade, na linha do movimento internacional seguido por outras fundações".

A Fundação Calouste Gulbenkian detém 100% do capital da Partex, empresa que é liderada por António Costa Silva.

A Partex foi fundada em 1938, por Calouste Gulbenkian, que até então "tinha sido o grande promotor da criação da Iraq Petroleum Company, uma empresa que reuniu os interesses das empresas que hoje se chamam BP, Shell, Total, Exxon Mobil, e onde ficou com 5%, passando a ser conhecido como o "Mister Five Per Cent".