Testados equipamentos para inibir drones em áreas restritas ou proibidas

Foto
Está proibido o voo de drones a mais de 120 metros de altitude e nas áreas de aproximação e de descolagem dos aeroportos CARLO ALLEGRI/ Reuters

O presidente da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) garantiu hoje que vão continuar a ser efectuados testes em equipamentos de identificação e inibição de drones em áreas sujeitas a restrições ou proibidas.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

O presidente da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) garantiu hoje que vão continuar a ser efectuados testes em equipamentos de identificação e inibição de drones em áreas sujeitas a restrições ou proibidas.

"Nós já tivemos um primeiro exercício com uma empresa há uns meses e vamos continuar a fazer todos os testes para permitir às várias forças de segurança terem todo o leque de soluções disponível do mercado, fazer as suas próprias perguntas e, depois, escolher a solução que for mais adequada para elas", disse à Lusa Luís Miguel Ribeiro.

O presidente da ANAC esteve no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, para duas apresentações de equipamentos desenvolvidos para identificar e inibir a entrada de drones (veículo aéreo não tripulado) em áreas restritas ou proibidas. Luís Miguel Ribeiro sublinhou que se vive perante um "problema de segurança" cada vez com "mais acuidade".

"As versões que nós aqui vimos [em Ponte de Sor] são para drones que não cumprem as regras, quer seja de forma deliberada, quer por desconhecimento dos seus proprietários. E são um problema de segurança que nos preocupa e que se colocará cada vez mais com o stock de drones que vai crescendo", alertou.

Perante este cenário, o presidente da ANAC garantiu que vão continuar a "ver, ouvir e a testar" equipamentos, uma vez que a tecnologia é "bastante embrionária", não tendo sido ainda apresentada uma solução que "funcione em 100% dos casos".

Luís Ribeiro explicou que os equipamentos já testados, ou todos aqueles que ainda vão ser analisados no futuro, serão depois implementados pelas entidades que têm responsabilidades em aeroportos ou infraestruturas. "O momento da aquisição, ou não, dependerá das próprias entidades e do Governo", acrescentou.

"Com tecnologias maduras e preços razoáveis, naturalmente que a decisão de comprar ou não comprar será cada vez mais complicada face à ameaça que é crescente. Nós [ANAC] não decidimos a aquisição, terão que ser as próprias empresas a fazê-lo", sublinhou.

A ANAC registou 37 incidentes com drones nas proximidades dos aeroportos, desde a entrada em vigor do regulamento, em 13 de Janeiro de 2017, mais do que os verificados nos últimos cinco anos.

O regulamento da ANAC proíbe o voo de drones a mais de 120 metros de altitude e nas áreas de aproximação e de descolagem dos aeroportos.

Em 2013 e 2014 não houve registos deste tipo de incidentes, enquanto em 2015 a ANAC recebeu indicação de cinco ocorrências, número que mais do que triplicou para 17 em 2016.

Dos 37 incidentes reportados em 2017 – 36 pela aviação civil e um por um avião militar nacional –, a maioria aconteceu nas proximidades dos aeroportos de Lisboa e do Porto, onde estes aparelhos violaram o regulamento e apareceram na vizinhança, nos corredores aéreos de aproximação aos aeroportos ou na fase final de aterragem, a 400, 700, 900 ou a 1.200 metros de altitude, de acordo com alguns dos relatos das tripulações.