O legado empresarial que Belmiro deixa no império Sonae

O grupo está presente em 90 países, em todos os continentes, com negócios cada vez mais diversificados. E com vendas de seis mil milhões de vendas e mais de 60 mil colaboradores.

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Sob a presideência de Paulo Azevedo, os negócios da Sonae continuam a crescer. Nelson Garrido

Belmiro de Azevedo dizia com alguma regularidade que gostava mais de carregar no acelerador do que no travão, referindo-se à condução dos negócios. E foi carregando no acelerador (investimento/dívida) que construiu um grupo com um volume de negócios que supera os 5,3 mil milhões de euros anuais, só na Sonae SGPS (2016).

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Belmiro de Azevedo dizia com alguma regularidade que gostava mais de carregar no acelerador do que no travão, referindo-se à condução dos negócios. E foi carregando no acelerador (investimento/dívida) que construiu um grupo com um volume de negócios que supera os 5,3 mil milhões de euros anuais, só na Sonae SGPS (2016).

Mas este número sobe em mais 400 milhões de euros se incluirmos a Sonae Indústria e a Sonae Capital e ainda um pouco mais se se tivesse em conta o negócio das telecomunicações, da participada Nos. Este negócio, onde a Sonae detém 23%, só consolida pelo método da equivalência patrimonial, ou seja, os resultados operacionais e líquidos. E fá-lo na Sonaecom, que também controla os activos do grupo nas áreas de tecnologia e media, com empresas que vão desde o PÚBLICO até à WeDo, a Saphety ou a Bizdirect.

Os três ramos centrais de negócios sob a marca Sonae empregam mais de 60 mil colaboradores, o que lhe dá o estatuto de maior empregador privado português.

Tudo começou na indústria, onde a Sonae chegou a ser a maior multinacional portuguesa, actualmente com uma dimensão mais reduzida, mas foi no comércio que ganhou projecção e dinheiro. Nos hipermercados primeiro, depois nos centros comerciais e telecomunicações, e mais recentemente na criação de marcas próprias, o grupo está actualmente presente em 90 países, em vários continentes.

Mesmo que a presença em alguns desses países seja modesta, especialmente no caso do vestuário e moda, a aposta na internacionalização é uma estratégia irreversível. Portugal era pequeno para a Sonae, dizia Belmiro, há uns anos, e continua a ser pequeno para a nova geração que assumiu a liderança dos negócios.

A distribuição ainda continua a ser “a caixa registadora” do grupo, respondendo por 67% do volume de negócios e 46% dos resultados operacionais.

A Modelo Continente, agora com novos formatos de negócio é líder da distribuição em Portugal, um resultado conseguido pela concorrência de preços, mas também pela aliança com fornecedores nacionais. Nos produtos perecíveis (fruta, legumes, carne e leite), a componente nacional representa mais de 80% das vendas.

Nos centros comerciais, a Sonae Sierra marcou presença na Europa, no Brasil, na Rússia e Norte de África, e a novidade deste ano foi o início de construção de um centro na Colômbia.

O mercado nacional é pequeno, mas o investimento em Portugal continua forte e é aqui que tem lançado novos negócios, que depois de consolidados são exportados. É exemplo disso a aposta no segmento da informática e electrodomésticos (Worten), no desporto (Sport Zone) na moda (Mo e Zippy), nas tecnologias, entre outros. Mais recentemente, o  grupo entrou na saúde (Well's), na comida saudável (Go Natural) e, já este ano, na estética, através das clínicas Dr. Well's.

O comércio electrónico é uma aposta que já leva alguns anos e que segundo o grupo continua a crescer, apesar de não ser revelado o volume de vendas. A forma de fazer negócio é diferente, mais leve (menor investimento e maior partilha de controlo) e em novos formatos, como o franchising.

Já a Sonae Indústria chegou a líder mundial  na produção de aglomerados de madeira, mas a crise internacional forçou o seu emagrecimento. Em 2016 fez uma parceria estratégica com o gigante Inversiones Arauco Internacional, para as operações de painéis derivados de madeira e actividades relacionadas que a Sonae Indústria actualmente detém na Europa e África do Sul. De fora ficaram as operações da  localizadas na América do Norte (Tafisa Canadá), bem como os negócios de laminados e de componentes, que continuam a ser detidos na totalidade pela Sonae Indústria. Depois de vários anos a acumular prejuízos, obrigando mesmo Belmiro a regressar à gestão executiva em 2012, a empresa apresenta lucros há vários trimestres.

A Sonae Capital concentra os seus negócios nos resorts (Tróia), na hotelaria, no fitness, na energia, e na refrigeração e AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado).