Bitcoin continua em queda após bolsa de moedas digitais fechar na China

A BTC é o primeiro serviço a deixar o mercado chinês depois de as autoridades mostrarem descontentamento com a tecnologia.

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As BTCC vai acabar com as transacções na China no final do mês Reuters/BENOIT TESSIER

O valor da bitcoin continua em queda. A divisão chinesa da BTC – um dos primeiros serviços criados para transacções de divisas digitais, que operam de forma semelhante às bolsas de acções – anunciou esta quinta-feira que vai parar todas as trocas de moedas digitais no país a partir do dia 30 de Setembro. Desde esta manhã que já não é possível criar uma nova conta do site chinês da empresa. A notícia vem no seguimento do aumento da pressão das autoridades chinesas contra a utilização de divisas digitais.

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O valor da bitcoin continua em queda. A divisão chinesa da BTC – um dos primeiros serviços criados para transacções de divisas digitais, que operam de forma semelhante às bolsas de acções – anunciou esta quinta-feira que vai parar todas as trocas de moedas digitais no país a partir do dia 30 de Setembro. Desde esta manhã que já não é possível criar uma nova conta do site chinês da empresa. A notícia vem no seguimento do aumento da pressão das autoridades chinesas contra a utilização de divisas digitais.

Às 18 horas de quinta-feira em Lisboa, o valor da bitcoin estava abaixo dos três mil euros (2953 euros, ou 3510 dólares). Trata-se de uma descida de mais de 20% desde o inicio de Setembro. 

Circulam notícias na China de que as autoridades poderão proibir todas as conversões de divisas digitais para outras moedas em breve. Algumas publicações, como o China Daily, informam que os serviços financeiros de Shanghai vão mesmo fechar todas as plataformas de transacção até ao final de Setembro. No entanto, várias bolsas de moedas digitais populares no país (como a OKCoin, a BTC China e a Huobi) dizem ainda não ter recebido nenhuma notificação oficial do governo. 

A BTC China esclarece (em publicações nas redes sociais da empresa) que os serviços internacionais vão continuar a funcionar normalmente. A decisão de parar com as operações na China, escreve a plataforma, deve-se ao “espirito do documento” recente emitido pelo Banco Popular da China (o banco central daquele país), que proíbe a angariação de financiamento através do lançamento de novas moedas digitais, uma operação conhecida como ICO (ou “oferta inicial de moedas”).

Trata-se de um conceito de financiamento colectivo recente em que as empresas criam uma espécie de moeda digital (semelhante, por exemplo, à bitcoin), que representa uma parte do capital da empresa. No fundo, o processo simula a entrada de empresas em bolsa, mas os investidores recebem "moedas" virtuais em vez de acções, e a operação acontece à margem de qualquer regulação. Embora a tecnologia permita financiar muitas startups tecnológicas (desde o começo do ano, as empresas chinesas a financiarem-se desta forma já conseguiram o equivalente a mais de 300 milhões de euros), as autoridades preocupam-se que a tecnologia esteja por detrás de esquemas de lavagem de dinheiro. O Banco Popular da China descreve o método como “ilegal” e capaz de perturbar “fortemente a ordem económica e financeira”.

Desde o dia 8 de Setembro que o bitcoin tem mostrado uma tendência de descida significativa. A queda acentuou-se nesta quarta-feira, após o presidente-executivo do banco norte-americano JP Morgan dizer que despediria qualquer pessoa a negociar com a divisa digital

Porém, no final de Agosto, a moeda estava num auge, com valores acima dos cinco mil dólares, devido a uma maior aceitação da tecnologia de blockchain (a base de dados distribuída em que assenta a divisa digital) e à introdução de um sistema que permitia acelerar a verificação de transacções.