Peru imprime o rosto de líder da antiguidade com tecnologia 3D

Além da tecnologia 3D, foram utilizados conhecimentos de análise forense e arqueologia para dar vida ao rosto da múmia com centenas de anos.

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Há 13 anos pensava-se que o rosto do líder do Vale de Chicama, no Peru, pertencia a um homem que governava uma sociedade patriarcal, os Moche. A descoberta de um túmulo com os restos mumificados de uma líder, em 2005, desmoronou a ideia. Afinal, seria uma mulher, jovem, entre os 20 e os 30 anos, que foi sepultada no meio das suas jóias e armas. Chamaram-na a senhora do Cao. Em 2017, ganhou um rosto graças à tecnologia de impressão 3D.

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Há 13 anos pensava-se que o rosto do líder do Vale de Chicama, no Peru, pertencia a um homem que governava uma sociedade patriarcal, os Moche. A descoberta de um túmulo com os restos mumificados de uma líder, em 2005, desmoronou a ideia. Afinal, seria uma mulher, jovem, entre os 20 e os 30 anos, que foi sepultada no meio das suas jóias e armas. Chamaram-na a senhora do Cao. Em 2017, ganhou um rosto graças à tecnologia de impressão 3D.

“É um enorme orgulho mostrar aos Peruanos, e ao mundo inteiro, a cara desta mulher de metro e meio, que tem uma enorme importância,” diz o ministro da Cultura do país, Salvador del Solar em comunicado. O objectivo do projecto era unir o passado e o futuro, através da tecnologia e uma das maiores descobertas arqueológicas do país – segundo del Solar – para recordar os habitantes da riqueza cultural do país. “A tecnologia permite-nos ver um rosto de uma líder política, religiosa e cultural da antiguidade”, acrescenta o ministro.

Foram precisos dez meses e uma equipa multidisplinar de especialistas internacionais para criar a réplica. Baseia-se no estudo dos restos mumificados do crânio da senhora do Cao, e une o conhecimento de tecnologia de impressão 3D, análises forenses e arqueologia. O primeiro passo foi fotografar a múmia através de scanners criados pela Faro Tecnologies, uma empresa de tecnologia 3D. O estado de preservação da múmia da senhora do Cao (graças ao ambiente seco no interior do túmulo onde permaneceu durante 1700 anos) facilitou o trabalho.

O rosto ganhou cor graças a artistas digitais que tiveram acesso a estudos de etnografia e um banco digital com uma grande quantidade de fotografias de mulheres que hoje vivem na zona de Magdalena de Cao (uma vila peruana próxima da zona onde foi encontrada a múmia).

Foto
A múmia da senhora do Cao foi encontrada em 2005 Reuters/GUADALUPE PARDO

Embora a senhora do Cao possa ter sido a mulher de um grande líder, e não a única responsável pela região, os investigadores acreditam que a forma como foi enterrada (com jóias e armas) reflectem o seu mérito e importância.

A cara impressa da senhora de Cao está em exposição no Peru. Mas uma parceria entre a National Geographic e uma fundação local vai criar uma versão digital na Internet.