Portugal chegou ao pódio mas ficou a olhar para cima

Triunfo sobre o México na despedida da Taça das Confederações valeu um prémio de consolação a uma selecção que tinha razões para aspirar a algo mais.

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Reuters/SERGEI KARPUKHIN

A primeira regra ditava que o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares na Taça das Confederações resvalava para o prolongamento. Confirmou-se. A regra seguinte determinava que a selecção europeia levava a melhor neste embate . Também se confirmou. Em Moscovo, Portugal confirmou, acima de tudo, que é uma selecção mais capaz que o México (2-1) e que a medalha de bronze que traz na bagagem terá sempre um travo amargo. Com este elenco, neste contexto, o campeão europeu poderia ter chegado mais longe. Mas acabou no lugar mais baixo do pódio, a torcer o pescoço para olhar com inveja na direcção do vencedor.

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A primeira regra ditava que o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares na Taça das Confederações resvalava para o prolongamento. Confirmou-se. A regra seguinte determinava que a selecção europeia levava a melhor neste embate . Também se confirmou. Em Moscovo, Portugal confirmou, acima de tudo, que é uma selecção mais capaz que o México (2-1) e que a medalha de bronze que traz na bagagem terá sempre um travo amargo. Com este elenco, neste contexto, o campeão europeu poderia ter chegado mais longe. Mas acabou no lugar mais baixo do pódio, a torcer o pescoço para olhar com inveja na direcção do vencedor.

Fernando Santos operou as alterações esperadas (face às ausências de Ronaldo, Guerreiro e Bernardo Silva) e ainda lhes juntou mais duas, com Luís Neto a estrear-se no torneio e Pizzi a comandar o meio-campo a partir do “onze” inicial. E, desta vez, aconteceu quase tudo ao contrário do que tinha sucedido no embate da fase de grupos entre as duas equipas. Portugal entrou autoritário, a pressionar, a recuperar e a comandar com bola, e o México acanhou-se, mais escudado na experiência (e veterania) de Rafa Márquez e no ritmo pausado de Guardado.

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Com o previsível 4x3x3 de parte a parte devidamente encaixado, seriam — como sempre — as dinâmicas a fazer a diferença. Gelson Martins começou a todo o gás, Pizzi e João Moutinho assumiram a construção e André Silva foi desgastando os centrais mexicanos, sempre à procura de um espaço para assistir ou finalizar. E teve-o aos 15’ e 16’. Primeiro, ao receber na área uma passe teleguiado que não conseguiu desviar para golo porque Rafa Márquez o travou em falta. Entrou em acção o videoárbitro, a infracção foi assinalada e o agora avançado do Milan dirigiu-se para a marca dos 11 metros, para perder o duelo com Ochoa.

Continuava Portugal de costas voltadas para as grandes penalidades, depois da eliminação às mãos do chileno Claudio Bravo, e teria de procurar outras formas de chegar ao golo. Nani, de cabeça, Pizzi, com um remate cruzado, e depois Gelson Martins nada quiseram com a baliza, que do lado oposto do campo estava bem entregue a Rui Patrício, autor da defesa da tarde, a uma mão, após remate espontâneo de Chicharito.

Chegava a segunda parte, praticamente com tudo na mesma. O México sem correr riscos, sem pressionar alto e com espaço a mais entre as linhas defensiva e média; Portugal a variar entre o corredor central e o direito as vias de acesso à área contrária. Até que, tal como no embate do Grupo A, a selecção que menos fizera por merecê-lo inaugurou o marcador. Cruzamento de Chicharito e desvio infeliz de Luís Neto (54’).

Pela primeira vez na competição, o campeão europeu teria de correr atrás do prejuízo e, após um par de minutos de desnorte, recompôs-se. As oportunidades regressaram (Gelson, Nani e Pizzi) e o desperdício também. Fernando Santos intensificava os trejeitos no banco, como se quisesse, ele próprio, empurrar a bola lá para dentro. Na impossibilidade de o fazer, tentou mexer no jogo lançando Quaresma e depois André Gomes e Adrien. Portugal cercava a área contrária em posse e tentava elevar o critério na circulação.

Um novo flashback até ao primeiro jogo com o México. Golo ao cair do pano? Aí estava ele, de Quaresma para Pepe, que surgiu na área com um remate as estilo ninja a antecipar-se a Layún e a surpreender Ochoa (90+1’). O extremo do Besiktas, que até então se perdera no labirinto das suas própias acções individuais, arrancava uma assistência no limite.

Balão extra de oxigénio para o prolongamento, que saiu reforçado quando o árbitro assinalou nova grande penalidade, por mão de Layún num despique com Gelson. Habituado a assumir a responsabiliadde no Sporting, Adrien, aos 104’, pegou na bola e escolheu a trajectória perfeita para quebrar a malapata.

Tudo favorável a Portugal, que já fizera uso da quarta substituição para reequilibrar o meio-campo defensivo com William e que voltava a desequilibrar-se com a expulsão de Nelson Semedo, punido com segundo amarelo. Raúl Jiménez, que entrara na segunda parte, seguiu as pisadas do colega do Benfica e deixou novamente tudo na mesma aos 112’.

Faltava pouco, era tempo de gerir. O prémio de consolação, por modesto que fosse, já não escapava. E uma medalha é sempre uma medalha.