Quercus desafia os portugueses a apreciarem ervas daninhas

Há alternativas não químicas para o controlo e manutenção das ervas espontâneas como a monda mecânica ou térmica, podendo-se assim evitar o uso de glifosato, defende a Quercus.

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Em períodos de chuva, as ervas daninhas ajudam à infiltração da água no solo, evitando escorrimentos superficiais que provocam erosão e cheias ENRIC VIVES-RUBIO

O desafio é apreciar as ervas daninhas e passá-las para o papel. A Quercus e a Urban Sketchers, associação que promove o desenho em cadernos ou diários gráficos, juntaram-se com o objectivo de promover a apreciação das ervas espontâneas no espaço urbano, encontrar beleza nelas e recusar a utilização de herbicidas para as erradicar. "Estas ervas espontâneas passavam-me ao lado e com esta desafio passei a reparar na beleza que realmente têm", explica Henrique Vogado, da direcção dos Urban Sketchers Portugal.

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O desafio é apreciar as ervas daninhas e passá-las para o papel. A Quercus e a Urban Sketchers, associação que promove o desenho em cadernos ou diários gráficos, juntaram-se com o objectivo de promover a apreciação das ervas espontâneas no espaço urbano, encontrar beleza nelas e recusar a utilização de herbicidas para as erradicar. "Estas ervas espontâneas passavam-me ao lado e com esta desafio passei a reparar na beleza que realmente têm", explica Henrique Vogado, da direcção dos Urban Sketchers Portugal.

A mudança de mentalidades é o primeiro passo para acabar com o uso de herbicidas químicos, nomeadamente o glifosato que é o mais vendido em Portugal, no controlo das plantas infestantes. “É necessário explorar o lado estético das ervas que surgem nas rotundas, bermas, à volta dos postes, nos corredores centrais e perceber que estas plantas não estão a fazer mal nenhum e que fazem parte da paisagem urbana”, refere Alexandra Azevedo, responsável pela Campanha Autarquia sem Glifosato da Quercus. "E nós já temos o hábito de desenhar todos os dias, mas agora estamos a fazê-lo por uma causa ambientalista", acrescenta Henrique Vogado, citado em comunicado.

O desafio pode ser aceite por qualquer pessoa durante o mês de Maio, dada a sazonalidade das plantas. Os desenhos das plantas devem indicar a freguesia e/ou o concelho onde foram feitos e devem ser enviados para o email hvogado33@gmail.com, em resolução de imagem de 300 dpi. Dos desenhos enviados pelos participantes, alguns irão ser seleccionados para uma futura exposição itinerante da Quercus em parceria com a Urban Sketchers.

A Quercus tem procurado alertar as autarquias locais para darem espaço à natureza sem recorrer a herbicidas através da campanha “Autarquias sem Glifosato/Herbicidas”, lançada em 2014. E defende alternativas não químicas e viáveis para o controlo e manutenção das plantas espontâneas são, por exemplo, a monda mecânica (motorroçadora e destroçadores) ou a monda térmica (queimadores a gás de calor directo ou indirecto, jacto de água quente, vapor de água ou de espuma para fazerem a lavagem e deservagem). Os municípios de Braga, Lousada, Vila Real, Porto, Castelo de Paiva, São Vicente (Madeira), Cabeceiras de Basto, São Pedro do Sul, Castro Verde, Vila Nova de Paiva e Alcanena já aderiram.

Texto editado por Ana Fernandes