Governo da Madeira aprova venda do Jornal da Madeira

O Jornal da Madeira chegou a custar perto de dois milhões de euros anuais ao orçamento regional.

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Miguel Albuquerque, chefe do Governo Regional da Madeira gc Gregorio Cunha - colaborador

O Governo Regional da Madeira deu mais um passo para a alienação do Jornal da Madeira (JM), ao aceitar a proposta de um consórcio formado por duas empresas regionais.

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O Governo Regional da Madeira deu mais um passo para a alienação do Jornal da Madeira (JM), ao aceitar a proposta de um consórcio formado por duas empresas regionais.

Sem quantificar o valor da proposta, o Executivo de Miguel Albuquerque anunciou no final da semana passada, que o concurso para a venda daquele matutino regional recebeu uma única intenção vinculativa, entregue por uma rádio local, do empresário madeirense Avelino Farinha, com interesses na construção civil e turismo, em conjunto com a ACIN, uma tecnológica internacional com sede no arquipélago.

O processo de venda do jornal, que chegou a custar perto de dois milhões de euros anuais ao orçamento regional, terá um novo episódio a 5 de Abril, prazo limite dado pelo Governo madeirense para o consórcio proceder a ajustes na proposta e constituir-se como empresa para adquirir a totalidade do capital da Empresa Jornal da Madeira, que além do JM detém ainda uma rádio local, a RJM.

A venda do Jornal da Madeira, que entretanto alterou o título para JM ao mesmo tempo que era sujeito a uma profunda reestruturação, foi um compromisso eleitoral de Miguel Albuquerque, face às crescentes críticas da oposição em relação àquele órgão oficioso do executivo de Alberto João Jardim.

O antigo presidente do Governo madeirense, que chegou a ser director do jornal no pós-25 de Abril, assinava diariamente uma página de opinião onde defendia as políticas seguidas pelo Executivo que chefiava e atacava a oposição. O próprio Albuquerque, durante o processo de sucessão de Jardim no PSD-Madeira, foi duramente visado pelos artigos de opinião monocromáticos e alinhamento editorial crítico do JM.

A pluralidade de informação foi sempre a justificação que Alberto João Jardim apresentou para subsidiar o jornal, que era detido em 99,98% pelo Governo, e que ao longo dos últimos anos de jardinismo terá absorvido perto de 50 milhões de euros do orçamento regional.

A venda do matutino não foi fácil. Num mercado pequeno e dominado pelo Diário de Notícias da Madeira, o primeiro prazo estabelecido pelo Governo para a recepção de propostas terminou sem interessados. Foi necessário alargar esse período em 90 dias para entrar uma intenção de compra.