Portugal continental tem situação de seca em 98%, maior parte fraca

Instituto Português do Mar e da Atmosfera alerta para o aumento da seca no território nacional.

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Segundo o IPAM, a situação geográfica do território de Portugal Continental é favorável à ocorrência de episódios de seca Enric Vives-Rubio

Portugal continental registou, em Janeiro, um aumento da área em situação de seca, atingindo 98% do território, a maior parte seca fraca, sendo um mês muito seco relativamente à precipitação, informa o IPMA.

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Portugal continental registou, em Janeiro, um aumento da área em situação de seca, atingindo 98% do território, a maior parte seca fraca, sendo um mês muito seco relativamente à precipitação, informa o IPMA.

O Boletim Climatológico disponibilizado hoje no site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) aponta que somente o barlavento (sudoeste) algarvio não está em seca.

A situação de seca fraca atinge 95,1% do território e seca moderada 3%, segundo o documento.

Em Janeiro, o total de precipitação foi cerca de 53% do normal, o que leva o Instituto a classificar este mês como muito seco, sendo o sexto valor mais baixo desde 2000.

Valores de precipitação inferiores a estes, de Janeiro, ocorreram em apenas 25% dos anos, desde 1931.

O IPMA classifica em nove classes o índice meteorológico de seca, que varia entre "chuva extrema" e "seca extrema".

Quanto à temperatura média do ar, foi de 8,26 graus Celsius, ou seja, 0,55 graus Celsius abaixo do valor normal e o quinto valor mais baixo desde 2000.

A média da temperatura máxima foi superior ao normal, enquanto o valor médio da mínima foi bastante inferior ao normal.

Segundo o documento, nos dias 1 a 3 e a partir de 26 de Janeiro, "o continente ficou sob influência de passagem de superfícies frontais activas com ocorrência de precipitação e vento, por vezes forte e com rajadas".

Entre 14 e 19 de Janeiro, iniciou-se uma onda de frio, com duração de seis a 12 dias, em alguns locais do centro e litoral sul.

No período de 18 a 21, "devido a um fluxo de nordeste", registaram-se "valores muito baixos da temperatura do ar, tendo-se atingido, em alguns locais do litoral, valores absolutos da temperatura mínima", refere o Boletim.

A partir de 17 de Janeiro, verificou-se "uma descida acentuada dos valores da temperatura máxima e mínima do ar, com o dia 19 a ser o mais frio", com média de 3,0 graus Celsius, sendo que também foi a noite mais fria, com média de temperatura mínima de 3,6 graus Celsius negativos, acrescenta.

"As regiões de centro e sul, mais expostas ao fluxo de nordeste, incluindo as do litoral, registaram valores extremamente baixos de temperatura mínima, que constituem recordes absolutos, isto é, são até agora os menores valores da temperatura mínima alguma vez registados", especifica o instituto.

Os recordes absolutos indicados pelo IPMA ocorreram dia 19, em estações meteorológicas com séries de cerca de 20 anos, como Sabugal, Coruche, Alcobaça, Aljezur, Alcácer do Sal, Tomar, Estremoz e Cabo Raso.

O maior número de dias com temperatura mínima de zero ou abaixo foi 21 dias, dos quais 14 consecutivos, em Miranda do Douro.

Em quase um terço das estações meteorológicas, registaram-se valores de temperatura mínima de zero graus Celsius ou abaixo em mais de metade do mês.

Já o valor mais baixo da temperatura máxima foi dia 18, com 8,4 graus Celsius.

O IPMA dá conta de relatos de queda de neve fraca no sotavento algarvio, nomeadamente em S. Brás de Alportel e na Serra do Caldeirão, no dia 19, além da queda de neve nas terras altas, principalmente, dia 27.

Segundo o IPMA, o valor da temperatura mínima foi registado no Sabugal, distrito da Guarda, dia 19, com -9,9 graus Celsius, e a máxima em Mora (Évora), no dia 11, com 21,9 graus.

O maior valor de precipitação em 24 horas pertenceu a Loulé, no dia 26 e o maior valor de intensidade máxima de vento (rajada) foi em Pampilhosa da Serra, no dia 2.