Scolari e o título europeu: “A França não era assim tão exigente”

O técnico brasileiro viu à distância a campanha portuguesa no Euro 2016 e nunca perdeu a calma.

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Scolari durante um treino da selecção portuguesa em 2006 Fernando Veludo

Foram duas finais separadas por 12 anos, com alguns dos mesmos protagonistas, mas com desfechos diferentes. Scolari levou a selecção portuguesa até à final do Euro 2004, mas foi derrotado na final de Lisboa pela Grécia. Em 2016, viu à distância todos os jogos e nunca deixou de estar tranquilo. E a final nem foi assim tão dramática. “Acho que Portugal administrou bem, foi tranquilo e, depois do 1-0, achei que o jogo estava ganho mesmo. A França não era assim tão exigente. Não achei. A selecção reagiu melhor do que é normal à lesão do Cristiano. Quando ele se lesionou, os outros uniram-se ainda mais”, diz.

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Foram duas finais separadas por 12 anos, com alguns dos mesmos protagonistas, mas com desfechos diferentes. Scolari levou a selecção portuguesa até à final do Euro 2004, mas foi derrotado na final de Lisboa pela Grécia. Em 2016, viu à distância todos os jogos e nunca deixou de estar tranquilo. E a final nem foi assim tão dramática. “Acho que Portugal administrou bem, foi tranquilo e, depois do 1-0, achei que o jogo estava ganho mesmo. A França não era assim tão exigente. Não achei. A selecção reagiu melhor do que é normal à lesão do Cristiano. Quando ele se lesionou, os outros uniram-se ainda mais”, diz.

Pragmático como sempre, Scolari nunca deixou de acreditar no título europeu, mesmo quando a selecção portuguesa só empatava na fase de grupos. “O mais importante era obter a classificação. Foi com três empates, mas conseguiu. O primeiro item para chegar a uma final é passar a primeira fase, mesmo que esta tenha sido com algumas dificuldades e percalços”, refere o treinador brasileiro que conduziu a selecção portuguesa entre 2002 e 2008.

Scolari não esquece que alguns dos jogadores já vinham do seu tempo, mas deu todo o mérito a Fernando Santos. “Esta selecção ainda tinha alguns jogadores da nossa época. Rui Patrício, Quaresma, Nani, Moutinho, Ronaldo, Pepe, Ricardo Carvalho… Foram sementes que foram plantadas e que deram certo. Foram pilares no Euro 2016. Claro que o trabalho, a escolha, a parte técnica e táctica foi do Fernando e de todo o grupo que o acompanha. Sinto-me feliz por ter participado do trabalho que a federação fez e vem fazendo”, referiu.

Scolari acompanhou de perto o crescimento de Cristiano Ronaldo, que puxou para a selecção aos 18 anos e fez dele o capitão aos 21, uma decisão da qual o técnico brasileiro não se arrepende: “Foi uma decisão técnica. Via nele comando, liderança. Não existe uma liderança só de palavras, mas uma liderança pela participação técnica em campo. Achei que seria interessante que ele ficasse como capitão. Falo por mim, eu fui capitão de equipa quando tinha 20 anos quando jogava futebol. Joguei até aos 32 e fui capitão em todas as equipas. Quando escolhem o capitão, os técnicos vêem liderança e o Cristiano tem isso. Viu-se muito no Euro, principalmente depois de ter saído lesionado.”

Scolari via liderança e potencial em Ronaldo, mas não imaginava que a promessa fosse cumprida com a dimensão que o avançado do Real Madrid tem actualmente. “Imaginava que ele iria ser um grande jogador, mas nunca que ganhasse tantas bolas de ouro ou que fosse conquistar tantos títulos. O técnico tem por missão ajudar um jogador a tornar-se num grande jogador, mas o resto é com ele próprio. E ele fez por o merecer”, diz Scolari.

Antes de chegar ao futebol chinês, Scolari ainda teve uma segunda passagem pela selecção brasileira, mas esta não teve o sucesso de 2002, em que o Brasil foi pentacampeão. A campanha do Mundial 2014 ficaria marcada pela incrível derrota nas meias-finais por 7-1 frente à Alemanha e, dois anos e meio depois, Scolari recorda o “desastre” como “um daqueles dias: “Foi um dia em que deu tudo certo para uma equipa e para outra não. Respondo a essa pergunta com outra pergunta. Quando Portugal jogou com a Rússia em Alvalade e ganhámos 7-1, deu tudo certo para nós e três dias antes tínhamos empatado 2-2 com o Liechtenstein. O que é que eu posso dizer? Foi um daqueles dias. É o futebol. Temos de estar preparados para ganhar e para perder dessa forma, e assimilar.”