O "sangue novo" da Playstation também é português

Filipe Caseirito e Tiago Franco ganharam o prémio Playstation deste ano. O jogo está na Lisboa Games Week.

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Os jogadores que se deslocarem à FIL neste fim-de-semana podem experimentar Strikers Edge DR

Filipe Caseirito, 28 anos, e Tiago Franco, de 29, criaram o jogo Strikers Edge em 48 horas. Fizeram-no a partir de uma premissa simples: uma competição entre dois adversários que se tentam atingir mutuamente. E foi com ele que ganharam este ano o Prémio Playstation, um recurso da empresa japonesa para evitar a sua própria estagnação criativa.

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Filipe Caseirito, 28 anos, e Tiago Franco, de 29, criaram o jogo Strikers Edge em 48 horas. Fizeram-no a partir de uma premissa simples: uma competição entre dois adversários que se tentam atingir mutuamente. E foi com ele que ganharam este ano o Prémio Playstation, um recurso da empresa japonesa para evitar a sua própria estagnação criativa.

O Strikers Edge está a ser apresentado na Lisboa Games Week, o maior evento de videojogos em Portugal, que começou na quinta-feira e se prolonga até domingo, na FIL. O evento, que conta também com competições de cosplay, junta no mesmo espaço vários nomes do universo dos videojogos. Desengane-se, no entanto, quem pensa que só as grandes marcas têm lugar.

Ao lado das novidades da Playstation, há um espaço que reúne os dez semi-finalistas da academia de talentos. Roberto Yeste, que trata dos projectos de desenvolvimento da marca, disse ao PÚBLICO que a iniciativa reuniu este ano mais de 60 projectos de origem portuguesa. E uma fracção desses projectos transitou para os Prémios Playstation.

Os vencedores foram Filipe Caseirito e Tiago Franco, que criaram Strikers Edge de raiz numa game jam. O objectivo das game jams é precisamente esse: ter uma ideia para um jogo e colocá-la em prática em pouco tempo (neste caso, 48 horas). O jogo foi popular desde o início: “Logo na Game Jam sentimos que o pessoal tinha gostado”, conta Caseirito. E, por isso, não abandonaram a ideia.

Em Strikers Edge, dois jogadores tentam atingir-se mutuamente, enquanto evitam as investidas do outro. “Queríamos explorar uma situação em que o jogador tivesse de prever distâncias ou desviar-se no último segundo. Inicialmente pensámos em usar duas Amazonas num rio, mas depois fomos acrescentando personagens e cenários”, explica Filipe Caseirito ao PÚBLICO. O estilo arcade, com recurso à pixel art, faz lembrar os jogos dos anos 80. E resulta.

“Tentámos criar um jogo para um público-alvo definido: jovens dos 16 aos 30, maioritariamente do género masculino”, conta Tiago. Mas a verdade é que acaba por chegar a mais utilizadores: “Fomos levados na onda dos jogos e-sports, o que ajudou o nosso jogo a posicionar-se, porque é um jogo competitivo e dá para fazer torneios – e junta pessoas, quer online, quer localmente”, avalia Ricardo Flores, produtor e responsável pelo desenvolvimento do negócio.

O prémio Playstation foi o rastilho para o reconhecimento. Desde que o ganharam, há oito meses, já arranjaram uma editora, a Plug In Digital, que ajudou a financiar o jogo, e foram convidados para vários eventos do circuito indie.

Mas não lhes trouxe apenas isso. O vencedor ganha, da parte da PlayStation, um plano de marketing, financiamento e a oportunidade de vender o jogo na plataforma Playstation Network – a maior loja de conteúdos para as consolas da marca.

Os programadores independentes dão à empresa criatividade e sangue novo. “Para um estúdio que já se tenha estabelecido há algum tempo, o objectivo principal é manter-se no negócio. E para ficar dentro do negócio é preciso jogar pelo seguro, sem muitos riscos. O Programa de Talentos da Playstation colmata essa falha”, explica Shahid Amid, mentor das equipas da Playstation Talents.

E para Filipe Caseirito e Tiago Franco foi um sonho tornado realidade. "A ideia de fazer jogos já vem de há muito tempo. Eu lembro-me que quando era miúdo, desenhava jogos de tabuleiro e dava aos meus amigos para jogar. Fiquei sempre com este bichinho", sumariza Tiago Franco. Por isso, ambos decidiram deixar os empregos que tinham e dedicar-se a esta ideia a tempo inteiro. Até agora tem dado resultados.

Do virtual para o real

Miguel Faísca, 27 anos, também está na Lisboa Games Week. Do Gran Turismo, clássico dos jogos de automobilismo, passou para as pistas reais: agora é piloto de carros desportivos. “Comecei a jogar aos 12 anos, na Playstation 1. E por coincidência o primeiro jogo que tive foi o Gran Turismo, na altura ainda a segunda edição. Joguei muito durante a minha infância, mas na faculdade tive de parar um bocado”, relembra. 

Quando teve conhecimento da GT Academy, uma iniciativa da PlayStation e da Nissan, que queria dar a oportunidade a um jogador de tornar-se piloto de carros desportivos na vida real. E Miguel Faísca foi o vencedor. “Fui piloto Nissan durante um ano, corri pela Europa toda”, conta.

“Eu sonhava com isto. Adorava ter este trabalho, mas nunca pensei que fosse possível”, afirma. É que para entrar neste meio é preciso muito dinheiro, e Miguel Faísca não o tinha. Depois de ter ganho a GT Academy, contou com o seu talento e um pouco de sorte. Hoje em dia dá formação e testa novos carros da Nissan – e diz que se sente realizado. Neste fim-de-semana, está na Lisboa Games Week enquanto "embaixador" da academia, a apresentar o GT Sport, a mais recente edição do Gran Turismo.

Texto editado por Hugo Torres