Trabalhadores da fábrica da PSA em Mangualde ameaçam com paralisação completa

Trabalhadores estão contra proposta da empresa de congelar salários a troco de um prémio.

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A fábrica de Mangualde pertence à multinacional francesa Nelson Garrido

Os funcionários fábrica de Mangualde do grupo PSA Peugeot Citroën ameaçaram nesta quinta-feira com uma paralisação completa da fábrica depois de a direcção ter proposto o pagamento de um prémio para que os trabalhadores aceitassem um congelamento salarial.

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Os funcionários fábrica de Mangualde do grupo PSA Peugeot Citroën ameaçaram nesta quinta-feira com uma paralisação completa da fábrica depois de a direcção ter proposto o pagamento de um prémio para que os trabalhadores aceitassem um congelamento salarial.

"Está em cima da mesa uma paralisação completa da empresa. Já esteve apontada, mas a pedido da empresa foi suspensa para retomar negociações. No entanto, hoje sentimo-nos traídos por esta direcção que não soube negociar e tentou criar um embuste em torno de algo que é importantíssimo como a negociação", avançou Jorge Abreu, da comissão de trabalhadores fábrica.

Aos jornalistas, Jorge Abreu referiu que a direcção da PSA de Mangualde "andou a negociar ao faz do conta", acabando por apresentar "uma proposta que acabava por ser um embrulho com um bom laçarote, mas que no meio tinha uma maçã envenenada".

"Em suma, a empresa pretendia que os trabalhadores vendessem os seus direitos à troca de um prémio de 125 euros brutos e isso é inaceitável. Levámos essa proposta da empresa a plenário de trabalhadores e, em votação secreta, foi chumbada por larga maioria", revelou.

O representante dos trabalhadores informou ainda que ao longo da manhã a direcção da empresa esteve "a chamar cada trabalhador individualmente para os obrigar a aceitar estas condições de congelamento de salários até 2020".

A Lusa tentou contactar a direcção da PSA de Mangualde que remeteu esclarecimentos para mais tarde.

"Com isto vamos ter um aumento de precariedade nesta empresa, com o alargamento do horário de trabalho sempre que a empresa necessite, quando nós em Mangualde já temos uma realidade muito complicada com a bolsa de horas miserável", sustentou o representante dos trabalhadores.

No seu entender, a direcção da PSA de Mangualde está a adoestar uma postura do "quero, posso e mando". No entanto, recorda que o presidente do grupo PSA, a que pertence a unidade de Mangualde, "assumiu um compromisso com os trabalhadores de Mangualde".

"O senhor Carlos Tavares disse claramente que quando o grupo desse sinal de retoma que haveria divisão desse esforço e essa recompensa seria visível para os trabalhadores de todos os centros, incluindo de Mangualde. Questiono, quem manda no grupo PSA: o senhor Carlos Tavares [o presidente executivo da PSA] ou o director desta empresa, esta direcção e os seus pupilos que aqui estão dentro?", interrogou.

De acordo com Jorge Abreu, "os trabalhadores de Mangualde merecem este prémio ainda mais do que outras fábricas do grupo".

"Não aceitaremos de maneira nenhuma esta discriminação e esta tentativa de pressionar os trabalhadores, que hoje se evidenciou, porque esta manhã os trabalhadores têm estado a ser chamados individualmente, usando de todas as formas para que aceitem vender os seus direitos à troca de um mísero prémio. Demonstraram de forma clara o que pretendem e, daqui por diante, vamos até às últimas instâncias para atingir os resultados que pretendemos", concluiu.