Guterres diz que “é uma dor ver partir” Almeida Santos

Antigo primeiro-ministro, José Sócrates, esteve na mesma altura na Basílica da Estrela que o ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados

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António Guterres e José Sócrates, dois antigos primeiros-ministros socialistas, estiveram juntos na Basílica da Estrela, onde o corpo de Almeida Santos, antigo presidente da Assembleia da República, se encontra em câmara ardente até quarta-feira ao princípio da tarde.

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António Guterres e José Sócrates, dois antigos primeiros-ministros socialistas, estiveram juntos na Basílica da Estrela, onde o corpo de Almeida Santos, antigo presidente da Assembleia da República, se encontra em câmara ardente até quarta-feira ao princípio da tarde.

O primeiro a chegar foi o ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres. Chegou sozinho e poucos se aperceberam que era ele que estava a entrar na basílica. Um pouco mais tarde era a vez José Sócrates, acompanhado de António Campos. Os dois deram um forte abraço dentro da basílica, que se encontra repleta de gente, e conversaram um pouco.

À saída, António Guterres não escondia a desolação pela morte daquele que foi presidente honorário do PS e referiu-se a Almeida Santos como “um homem inteligentíssimo” que estava sempre a ajudar”. Amavelmente, pediu aos jornalistas para recuarem um pouco para junto da basílica por causa da chuva e falou do “momento particularmente doloroso” porque estava a passar. “As pessoas não têm consciência de quão o doutor Almeida Santos era um homem bom, para além de ser inteligentíssimo e competentíssimo. Durante dez anos fui líder do PS e ele presidente do partido - os partidos são coisas difíceis, como se sabem-, mas nunca tivemos a menor questão”, partilhou Guterres. “Ele era um amigo para ajudar, era uma pessoa extraordinária que ajudava toda a gente e até alguns inimigos”, considerou.

O antigo primeiro-ministro não contou nenhum episódio que ambos tenham partilhado, mas destacou a grande generosidade do antigo presidente da República. “Eu confirmei histórias que ele me contou relativamente a pessoas que ele ajudou enquanto ministro em Portugal e que o tinham perseguido em Moçambique. Era uma pessoa absolutamente extraordinária como é muito difícil encontrar”, declarou ainda.

“É uma enorme perda!”, lamentou, dizendo  que “era difícil” falar de algum episódio em particular , porque [Almeida Santos] era permanentemente alguém que estava sempre a ajudar. É, de facto, uma dor vê-lo partir”, declarou.

José Sócrates destacou, por seu lado, as “qualidades” do histórico dirigente do PS, frisando que era “um homem de grande talento na política, na cultura e na escrita, mas todas essas qualidades politicas nada eram comparadas com as qualidades humanas”. “O Almeida Santos fazia parte da primeira geração da fundação do socialismo democrático em Portugal, juntamente com Salgado Zenha, Mário Soares, Manuel Alegre e António Campos e todos aqueles que o conheceram perceberam o quanto ele gostava do companheirismo e que se interessava por toda a gente”, afirmou o antigo primeiro-ministro, revelando que o presidente honorário do PS “tratava com superiodade e com consideração os seus adversários políticos”.

“A nossa democracia fica mais pobre, [porque] ele era um espírito raro e invulgar, um homem singular e único”, sublinha o ex-secretário-geral do PS.