Vacinas para a desgraça comunicada

Ouvir estes dois podcasts diários da BBC é uma lufada de ar fresco; uma vacina para a desinformação nacional. Possa a nossa comunicação social aprender alguma coisa

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Pixabay

A minha manhã informativa tem sido, nos últimos meses, recheada de histórias globais, de vidas e lutas distantes, que nos aproximam; empáticas. São os repórteres que esgravatam temas depois compilados em dois podcasts diários da BBC; recomendo.

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A minha manhã informativa tem sido, nos últimos meses, recheada de histórias globais, de vidas e lutas distantes, que nos aproximam; empáticas. São os repórteres que esgravatam temas depois compilados em dois podcasts diários da BBC; recomendo.

Foi este serviço noticioso, feito de reportagens na primeira pessoa, quem me contou, diariamente, as histórias de vida de refugiados na Grécia, depois na Macedónia e Sérvia, mais tarde na Hungria, Áustria, Alemanha, Suécia, Rússia, Noruega; todas as rotas que se foram ajustando aos muros ora levantados.

Mas também histórias improváveis, de heróis desconhecidos. Foi, por exemplo, da Hungria que se soube de um ex-primeiro ministro local que, gozando a sua reforma, ocupava os dias a receber refugiados em sua casa, disponibilizando-lhes comida, higiene e orientações para o caminho que ainda se lhes atravessava. Não me lembro que tal história tenha contrariado a mensagem global das atrocidades húngaras amplamente difundidas na comunicação social; não compensa, mas afaga.

Talvez renovado, hoje, 11 de Novembro, não trouxe vidas refugiadas; é, aparentemente, um dia de esperança, de vacinação.

Soubemos que uma organização de ataque cibernauta está a ser julgada nos Estados Unidos por graves danos no mercado bolsista; é a justiça a funcionar como vacina para uma nova doença da sociedade.

Da Síria, a notícia vitoriosa da reconquista de uma base aérea, anunciada vitória das forças governamentais, como que uma vacina para a disseminação de organizações terroristas; soa a estranho, tão vil o regime, mas ainda assim...

Do Burundi, a dúvida da necessidade de uma vacina de capacete azul, para prevenir males maiores; porque em África parece sempre mais fácil que no Médio Oriente. É, aliás, de África que sabemos também dos festejos pelos efeitos denotativos de uma vacina para a Hepatite A; e o risco das suas conotações religiosas.

Mas é de Portugal que chegam novas vacinas. Apesar de apresentadas sob o som de “protestos zangados em defesa do governo minoritário”, surgem, no entanto, claras e limpas as ocorrências:

a) 123 deputados contra 107 derrubam o governo, existindo uma alternativa à esquerda, que promete virar a página da austeridade;

b) governo de alternativa será socialista apesar do programa conter muitas medidas impostas pelos parceiros à esquerda;

c) o país não está sob plano de resgate, mas a recuperação económica é ainda ténue;

d) a entrada em funções de novo governo depende, no entanto, do Presidente da República, dado o regime semi-presidencialista.

Naturalmente, a proximidade nacional da notícia permite uma maior empatia, mas não é mais do que um exemplo da empatia global que assim se promove. Globalmente, este serviço é um olhar diferente, por vezes mais empático, por vezes mais imparcial, mas sempre honesto; de novo, recomendo.

Ouvir notícias desta forma é, acima de tudo, uma lufada de ar fresco; uma vacina para a desinformação nacional. Possa a nossa comunicação social aprender alguma coisa.