Aldrabices fake in Germany

Se alguém ganha na lotaria, os alemães dizem “Schwein gehabt!”, isto é, tiveste um porco. Nas ocasiões em que estão fartos, dizem “Ich habe die Nase voll”, porque têm o nariz cheio. E cá em Portugal usamos: “Isto começa a cheirar muito mal.”

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O escândalo dos milhões de carros Volkswagen com motor superpoluente (e emissões de gases falsificadas) alarga-se a outras marcas alemãs e subsidiárias: Audi, Skoda, Seat, etc. Uma mancha de óleo cai a pique nas bolsas e derrama-se pelo mundo. Ou os alemães se põem a mastigar mais salsichas e a engolir muito mais cerveja (pelos vistos, o problema da saúde pública não lhes afecta a “moral protestante”) ou a sua economia está em risco.

É o bom-nome de um país (a Deustchland adora estes números periódicos de má fama) que está em causa e, com ele, o das grandes marcas germânicas. Temos uma prima em Dusseldorf que já iniciou as suas investigações aprofundadas. A realidade pode ser aterradora, desde há décadas. E melhor do que a realidade, como sabem os alemães, só mesmo a especulação. Quando há aldrabões em casa, pagam todos.

1 — Mercedes. Não é só a hipótese de também ter instalado software informático que adulterava as emissões de gases poluentes e os consumos reais de combustível. É provável que a Mercedes continue, contra o que dizia, a ser a marca preferida de empresários da construção civil e de “patos bravos” que besuntam as auto-estradas com metade da grossura do alcatrão estipulado. Quanto à estrela de três pontas, símbolo da marca, poderá ter um mercado paralelo de armas tipo “estrelas ninja” que alimenta a guerra dos yakuza no Japão contra a Toyota, com várias vítimas mortais.

2 — Pneus Continental. Alguns dos pneumáticos poderão ser, na verdade, feitos não de borracha sintética mas à base de alcaçuz, doce superdenso, produzido em zonas de florestas dizimadas para a produção de açúcar. Mas o mais grave são os pneus das bicicletas, programados para aderir demasiado à estrada, de dez em dez quilómetros, obrigando o ciclista a beber um litro de cerveja ou o novo refrigerante orgânico Bionade que, como a Coca-Cola dos americanos (os queixinhas deste escândalo dos carros), é afinal sintetizado da gasolina de 98 octanas com chumbo. Quanto às mangueiras de rega da Continental, já mataram duas senhoras que as confundiram com anacondas no jardim.

3 — Ursinhos da Steiff. Os queridos peluches que desde 1877 deram carinho e consolo a milhões de crianças — e uma fortuna fabulosa aos herdeiros de Margarete Steiff — têm sinistro passado. Sempre se disse que o famoso e original “Teddy Bear” foi criado em homenagem ao Presidente americano Theodor Roosevelt que, em 1908, se recusou a abater um urso amarrado. Como os americanos desmascararam as aldrabices alemãs, ficou agora a saber-se que o nome real do urso é “Vlady Bear”, homenageando as caçadas ao urso do Presidente russo Vladimir Putin e o simpático transilvano “Vlad, o Empalador”.

4 — Playmobil. O gigante de brinquedos que nasceu na década de 1970, a meio da crise do petróleo (numa empresa que dantes fabricava produtos metálicos e sintéticos), nunca admitiu até que ponto os seus bonecos são pessoas contrafeitas, baseadas em desenhos de criança. Vendem-se aos milhões mas são de simples plástico e nunca passariam num teste de viabilidade humana. Os cowboys, peles-vermelhas, astronautas, operários, donas de casa, têm uma cabeça demasiado grande, sem nariz. E ninguém consegue atar os sapatos com os dedos da mãos todos colados. Além disso, os carrinhos que transportam os Playmobil são um perigo para quem os pisa descalço.

5 — Bayer. O conglomerado gigante da indústria química e farmacêutica que em 1900 lançou a aspirina começou com duas pessoas numa barraca. Agora são centenas de milhares. Desconfia-se que a aspirina não é feita com casca de salgueiro mas com raspas de unhas de alemães, que as guardam e nunca as cortam na sala de jantar, como estipulado no contrato de aluguer da casa (como os suíços, aliás). Os estudos de que o ácido acetilsalicílico evitará ataques cardíacos podem ter sido uma extrapolação originada por pessoas que gritaram “ai que me está a dar uma coisinha” ao verem a crise grega na TV, e afinal não era nada. A Bayer arrisca-se a voltar à sua barraquinha de duas pessoas (Schäuble & Merkel)? Dores de cabeça para a Alemanha.

6 — Electrodomésticos da Bosch, Braun, Grundig, etc. Surgiu a hipótese concreta de que os televisores germânicos — com técnicas hipnóticas perigosas para o ambiente — induzem os alemães a considerarem-se o único povo trabalhador da Europa e o resto é uma cáfila sem remédio. As “varinhas mágicas” e os aspiradores vão agora triturar a realidade das fraudes alemãs e limpá-las até que a União Europeia decida que a culpa é dos emigrantes do Sul, como os operários portugueses, que foram para a Alemanha encher de vícios a indústria de um país exemplar.

7 — Ah, e atenção, o caldo Knorr que se vende no Rossio é mesmo haxixe.