A febre revolucionária

Esta febre da mudança, do rasgar do presente, a nossa eterna vontade de alterar os nossos destinos

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Pasu Au Yeung

Revolução: mudanças profundas que ocorrem numa determinada sociedade em períodos relativamente curtos de tempo. O acumular de tensões, de raiva e de angústia por parte dos oprimidos resulta num movimento em massa que, muitas vezes, numa questão de dias, muda um panorama instaurado durante décadas.

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Revolução: mudanças profundas que ocorrem numa determinada sociedade em períodos relativamente curtos de tempo. O acumular de tensões, de raiva e de angústia por parte dos oprimidos resulta num movimento em massa que, muitas vezes, numa questão de dias, muda um panorama instaurado durante décadas.

 

Segundo o historiador Crane Brinton, existem sintomas que estão presentes nos bastidores da maioria das sociedades perto da “erupção”: descontentamento que atravessa todas as classes sociais, sentimento geral de inquietude e opressão, influência dos intelectuais e das suas ideias contra o Governo e as suas políticas, falta de resposta governamental às necessidades da sociedade e o facto de as finanças estarem instáveis.

Quando se cria a “tempestade perfeita”, o impulso da mudança cresce a todos os instantes, a febre revolucionária instala-se. O crescimento do movimento revolucionário torna-se cada vez mais complicado de reprimir e eventualmente irrompe, com ardentes chamas revolucionárias a destruírem um presente descontente. Esta febre da mudança, do rasgar do presente, a nossa eterna vontade de alterar os nossos destinos.

Modificar as circunstâncias 

Estamos concebidos para esta ânsia em procurar algo mais, em modificar as nossas circunstâncias e em termos em nós, no mais profundo da nossa essência, o desejo de alterar as nossas vidas, de reagirmos e de sobrevivermos: de superar as adversidades e sonhar que um dia, quem sabe, consigamos alterar o nosso presente e consequentemente o nosso futuro: as nossas ações ecoam bem depois de desaparecermos. Os Capitães de Abril não permanecem na memória coletiva dos portugueses graças aos seus atos? Não tinham eles desejos de alterar o panorama vivido e lutar por algo melhor? E estes mesmos ideais, não vivem ainda em nós? Esta necessidade de ir mais além, de viver em vez de somente existir, de termos a coragem e ousadia de mudar o que está mal, de sermos mais, de querermos mais, mais e melhor: por nós, por os outros, por todos.

Os atos de revolta relembram ao ser humano que nada é permanente: líderes mudam, regimes caem, novas ideias instauram-se. A mudança é algo presente nas nossas vidas; nada é eterno, nada dura para sempre.

O mundo: constantemente a girar, constantemente a mudar.