A Apple foi revolucionária ou fez apenas actualizações do que já existe?

Um dia depois da apresentação da Apple, jornais, sites e blogues falam dos prós e contras do iPhone 6, iPhone 6 Plus e do Apple Watch.

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Análises, críticas e opiniões. No dia seguinte à apresentação da Apple, a comunicação social e sites especializados em tecnologia publicaram vários artigos dedicados aos mais recentes produtos da marca da maçã, na era pós-Steve Jobs e em pleno reinado de Tim Cook, o presidente executivo da empresa nos últimos três anos.

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Análises, críticas e opiniões. No dia seguinte à apresentação da Apple, a comunicação social e sites especializados em tecnologia publicaram vários artigos dedicados aos mais recentes produtos da marca da maçã, na era pós-Steve Jobs e em pleno reinado de Tim Cook, o presidente executivo da empresa nos últimos três anos.

James McQuivey, vice-presidente da Forrester Research, empresa especializada em estudos de mercado na área da tecnologia, centrou o seu comentário no Apple Watch. McQuivey, citado pelo Guardian, considera que a estratégia em torno do relógio inteligente, com entrada no mercado prevista para o início de 2015, “estabeleceu firmemente o smartwatch como uma nova categoria”.

“Potenciais concorrentes podem ser consolados com os meses que têm antes de os relógios começarem a ser vendidos, mas têm muito trabalho pela frente se quem competir com a Apple na experiência mais completa que o Apple Watch oferece. Não é apenas um dispositivo, é um estilo de vida", opinou o analista.

Ao Financial Times, Geoff Blaber, analista na CCS Insight (empresa de consultoria no sector das telecomunicações), sublinhou que a Apple conseguiu, “em apenas um golpe, redefinir a categoria smartwatch e impulsionou-a na consciência do consumidor”. “Para os concorrentes da Apple uma categoria já difícil vai tornar-se um pesadelo”.

Ainda sobre o Apple Watch, o site The Verge afirma nesta quarta-feira que o relógio inteligente é “ao mesmo tempo fantástico e aborrecido”. O design do dispositivo quando comparado com os apresentados pela concorrência é “melhor, mas, infelizmente, isso não é muito grande elogio”, escreve o site de notícias de tecnologia. O Verge considera ainda que a Motorola fez uma “declaração mais ousada” com o seu Moto 360.

Para a revista Wired, a Apple fez o “relógio perfeito, mas precisa de decidir para o que serve”. No seu site sublinha que as interacções possíveis com o smartwatch são “impressionantes”, mas fica por responder para que servem. “Ao desenhar um relógio que faz tudo, a Apple evita responder à única pergunta complicada sobre este intrigante novo tipo de dispositivo: É bom para o quê?”. Na apresentação de terça-feira, características como a medição da pulsação do utilizador, um giroscópio e o acelerómetro, que permitem fazer uma leitura da actividade diária física de quem os utiliza, foram sublinhados por várias vezes.

A Wired não deixa, no entanto, de olhar para o Apple Watch como um produto “construído sobre uma série de ideias atenciosas, elegantes para o utilizador, que juntam uma quantidade surpreendente de funcionalidades num pacote pequeno e atraente”.

Apple põe consumidores em modo espera
Um dos principais jornalistas de tecnologia da BBC acredita que a Apple teve uma estratégia de mercado ao adiar a comercialização do smartwatch para o próximo ano. “A Apple assegurou que os consumidores olhem para os produtos da concorrência nos próximos meses e considerem que vale a pena esperar por algo melhor”, escreve o repórter. Quanto ao aparelho, apesar das inúmeras tarefas que o relógio permite fazer, o jornalista afirma que estas também podem ser realizadas com um smartphone. “Além de algumas capacidades de monitorização de exercício físico, é difícil pensar em muitas coisas que são mais bem feitas num relógio do que no ecrã de um smartphone”.

Para o blogue de tecnologia Gizmodo, a parte mais inteligente do design do Apple Watch é a forma como aparelho é controlado. “Em vez de depender de vários toques [no ecrã] como acontece nos ecrãs maiores, o Apple Watch baseia-se no uso de uma ‘coroa digital’”, uma peça semelhante à que existe nos relógios clássicos para acertar as horas.

Sobre o design do smartwatch, que junto dos jornalistas de moda convidados para o evento da Apple recebeu vários elogios, nomeadamente o facto de poder ser alterado consoante os gostos dos utilizadores, a revista Vogue escreve que, do “ponto de vista da moda, a estética externa parece neutra: nem super-elegante nem repelente”. Será um aparelho que irá apelar mais aos “’nerds’ que aos estetas”. “No entanto, os smartphones já transformaram o mundo da moda de uma forma que nunca se imaginou”, escreve a revista.

Se o Apple Watch reuniu as principais atenções, jornais como o New York Times centraram a sua análise no poder da Apple. Depois de defender que a empresa norte-americana “está de volta e melhor que nunca”, o jornal afirma que “ainda tem a capacidade de inventar produtos e serviços que podem definir toda uma indústria” e actualmente está a actuar “numa escala que nunca tinha sido alcançada sob o comando de [Steve] Jobs”.

O New York Times deixa, no entanto, uma crítica aos preços a que serão comercializados os três aparelhos da marca. “A Apple está a vender um estilo de vida digital a um custo que ultrapassa o de muitos dos seus rivais”. À primeira vista, os dois iPhones 6 e o Apple Watch parecem seguir os passos do iPhone ou iPad, que “não eram ideias totalmente novas, mas versões superiores às de outros produtos já criados”.

O Wall Street Journal faz, no entanto, críticas aos tamanhos dos ecrãs das duas versões do iPhone 6 (4,7 e 5,5, polegadas), apontando que pondo em prática a possibilidade de se utilizar os dois aparelhos apenas com uma mão, o polegar apenas alcança metade (iPhone 6) ou um terço (iPhone 6 Plus) do ecrã. “Cabem nos bolsos das calças, mas algumas pessoas adeptas de jeans mais apertados podem ter mais dificuldade”, comenta o jornal. Outra crítica é a questão dos novos aparelhos da Apple não serem impermeáveis, como o Samsung Galaxy S5.

IPhone 6 Plus, um smartphone que se aproxima de um tablet
Quanto ao Apple Pay, o Washington Post compara-o com outros sistemas semelhantes já disponíveis. “Ao contrário do Google Wallet, Isis e outros que têm um ponto de entrave quando a operadora de telemóvel é pode decidir quem tem acesso ao chip NFC, neste caso, a Apple tem acesso ao chip. Por isso, quando diz que vai permitir uma carteira móvel com base no NFC, isso significa que a Apple tem a capacidade para executar [um pagamento] directamente com os bancos e as redes online", explica Tim Sloane, analista na empresa de pesquisa Mercator Advisory Group. O Apple Pay tem tecnologia NFC (Near Field Communication), que está a ser adoptada como padrão para sistemas de pagamentos móveis, e um sistema de Passbook, onde o utilizador pode armazenar virtualmente todos os cartões de crédito.

O Washington Post considera, agora sobre os iPhones 6, que estes tiveram uma forte inspiração no iPad, nomeadamente quanto ao tamanho, o que assemelha o iPhone 6 Plus mais a um tablet do que a um smartphone. “A Apple, por exemplo, permitiu aos utilizadores a opção de ver as suas aplicações numa orientação horizontal, o que é retirado directamente do iPad”, comenta.

E porquê dois tamanhos maiores de smartphones anunciados pela Apple, à semelhança do que a Samsung, sua principal concorrente, tem revelado? “Porque finalmente dá à Apple um produto concorrente em dois novos tamanhos de telefone, e porque só estes novos iPhones - e não os modelos mais antigos - vão trabalhar com a Apple Pay”, responde o site Re/code.

Os preços para o mercado europeu do iPhone 6 variam entre os 699 euros (16 GB), 799 euros (64 GB) e os 899 euros (128 GB). Na versão Plus, os valores são de 799 euros (16 GB), 899 euros (64 GB) e 999 euros (128 GB). Fora destes montantes estão as possíveis despesas com contratos de fidelização a celebrar com as operadoras. Os dois smartphones são lançados este mês no mercado norte-americano e de outros oito países. Chegarão a Portugal até ao final do ano.

Quanto ao Apple Watch, há mais secretismo quanto a datas de lançamento no mercado. A marca apenas revelou que deverá ser no início de 2015, com um preço a partir dos 349 dólares, um valor mais elevado do que produtos semelhantes da concorrência, por exemplo, mais 100 dólares que o Moto 360.