Espécies marinhas invasoras ameaçam ecossistemas das ilhas açorianas

As espécies invasoras são consideradas uma ameaça global à biodiversidade marinha.

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Mensagem atravessou o Atlântico até aos Açores Foto: Miguel Madeira

“Considerando que os ecossistemas das ilhas, em particular das oceânicas, são muito frágeis, se alguma coisa chega por mão humana, é relativamente simples ter condições de se desenvolver e proliferar, deixando de ser uma espécie exótica para ser uma espécie invasora”, disse à agência Lusa Ana Cristina Costa, do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores.

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“Considerando que os ecossistemas das ilhas, em particular das oceânicas, são muito frágeis, se alguma coisa chega por mão humana, é relativamente simples ter condições de se desenvolver e proliferar, deixando de ser uma espécie exótica para ser uma espécie invasora”, disse à agência Lusa Ana Cristina Costa, do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores.

A bióloga está ligada ao projecto Açores: stop over for marines aliens species, deste departamento da universidade açoriana, que visa contribuir para travar a entrada de espécies marinhas invasoras e é apoiado pela Direcção Regional da Ciência e Tecnologia do Governo Regional, decorrendo até 2015.

Ana Cristina Costa afirma que os ecossistemas dos Açores se podem confrontar com “grandes problemas”, uma vez que, por competição pelo espaço e por serem mais eficazes em termos reprodutivos, algumas espécies podem dominar todo o sistema, fazendo desaparecer algumas espécies endógenas.

“Acaba por haver um empobrecimento do sistema e poderá haver algum decréscimo na competitividade, inclusive de espécies com interesse comercial e que são exploradas”, frisa a bióloga.

Ana Cristina Costa refere, por outro lado, que o “grande risco” para a saúde pública das espécies marinhas invasoras reside no facto de algumas serem portadoras de outras, de menor dimensão, que podem causar problemas ao nível do consumo, em termos de intoxicações.

“É o caso do pescado, sobretudo do marisco, embora as espécies geralmente mais afectadas sejam bivalves [mexilhão, amêijoa e conquilha, entre outros], o que não existe muito nos Açores e nos resguarda”, declara a bióloga.

Ana Cristina Costa sublinha que “não há uma relação directa”.

“Em termos de risco directo para a saúde pública, geralmente o que é preocupante são algumas espécies de mais pequenas dimensões que possam vir associadas a outras espécies introduzidas, que podem tornar-se invasoras”, declara a bióloga.

Ana Cristina Costa especifica que o projecto Açores: stop over for marines aliens species visa identificar espécies invasoras através das marinas e portos, dos navios comerciais oriundos de outros países, sendo identificadas inúmeras espécies exteriores à região.

“Estamos a avaliar a situação das portas de entrada e relacioná-las com o tráfego de embarcações, nomeadamente de recreio, a mais importante via de entrada nos Açores, através das incrustações nos cascos das mesmas”, afirma.

Ana Cristina Costa refere que o estudo se processa através da recolha dos organismos que estão nos cascos das embarcações, quando estas vêm a doca seca, tentando-se perceber a ligação directa entre a origem das embarcações e as espécies.

“As espécies na região são disseminadas pelas embarcações que fazem o circuito das ilhas. Muito facilmente, algo vindo das Caraíbas, num instante se instala numa ilha, ou desta para outras”, frisa a bióloga.

As espécies invasoras são consideradas uma ameaça global à biodiversidade marinha.