Geração Wikipedia

A luta pela descoberta faz-nos mais sábios, mesmo que só exista enquanto “competição hipster”. Tornámo-nos mais eficientes desde que a dúvida está a um clique da certeza. Tornámo-nos menos humanos, desde que um "gosto" se tornou preferível a um elogio

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Gary Cameron/Reuters

A nossa imaginação está já moldada à vida digital. Sonhamos em “tweets”, filosofamos com actualizações de estado e vivemos o dia-a-dia num “scroll down” diário. Muitos são os que escrevem as suas considerações sobre o avanço da tecnologia enquanto retrocesso da natureza humana. Fazem-no com a esperança de que consigamos mudar. E também numa óptica de desprezo à tecnologia.

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A nossa imaginação está já moldada à vida digital. Sonhamos em “tweets”, filosofamos com actualizações de estado e vivemos o dia-a-dia num “scroll down” diário. Muitos são os que escrevem as suas considerações sobre o avanço da tecnologia enquanto retrocesso da natureza humana. Fazem-no com a esperança de que consigamos mudar. E também numa óptica de desprezo à tecnologia.

Mas para quê lutar contra uma realidade que já se encontra (intrínseca) entre nós e que nunca irá voltar no tempo? Temos de aceitar a era da pesquisa em motores de busca, não sobre assuntos, mas sobre opiniões já formadas que tomamos como nossas para que possamos ter uma voz. A voz não é nossa, mas quem irá saber isso?

Geração que pesquisa “famous quotes by Bukowski” e aleatoriamente publica um dos resultados nas redes sociais para que possa, por um momento, acreditar que sabe do que se trata. Se é bom? Não sei. Parece-me melhor que nada, visto que leva aqueles que nunca se interessaram a, pelo menos, fingir que se interessam.

E o que estes não sabem é que acabam, sem querer, por aprender alguma coisa. Forçam-nos a ser criativos e diferentes, mas dizem-nos para não falar da boca para fora. Querem que sejamos únicos, mas pressionam-nos para que o que nos destaca seja algo nunca antes visto. Não podemos ser imitadores, não podemos ter as mesmas opiniões que outros. Caminhamos para a diferença mas essa diferença torna-nos iguais. Todos queremos o mesmo. Sabemos o suficiente para ter uma conversa de dez minutos, mas pomo-nos a andar num ápice se se torna mais profunda. Deus nos livre se falarem de um livro que não nos apareceu no "top 5" do autor que tão bem analisámos na Wikipedia. O mais triste ainda é que os que falam sobre esse sexto livro, estão apenas um falso passo à frente, pois Deus lhes livre que se aborde o sétimo. Não estão preparados para esse tipo de confronto. Ainda não o estudaram.

A luta pela descoberta faz-nos mais sábios, mesmo que só exista enquanto “competição hipster”. Tornámo-nos mais eficientes desde que a dúvida está a um clique da certeza. Tornámo-nos menos humanos, desde que um "gosto" se tornou preferível a um elogio. A tecnologia abre-nos as mentes, mas fecha-nos os corações. É o que dizem. Mas uma boa conjugação dos dois só nos pode levar a sítios onde gerações passadas nunca conseguiram ir.