Falta a alegria de representar a selecção

A derrota frente à Geórgia era previsível e melhoramos em alguns sectores, mas falta criatividade e arriscar

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Miguel Carmo

Mais um jogo, mais uma derrota da nossa selecção. Mais um resultado que não é o desejado por todos nós, mas que era o mais provável.

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Mais um jogo, mais uma derrota da nossa selecção. Mais um resultado que não é o desejado por todos nós, mas que era o mais provável.

A Geórgia tem demonstrado nós últimos anos uma evolução crescente. Até ao Mundial de 2007, ainda havia algum equilíbrio, mas desde então tem sido notória a evolução superior à nossa. Vemos muitas vezes a Romênia como a selecção mais fácil para vencer, mas Portugal só lhes conseguiu vencer por duas ou três vezes.

À Geórgia já vencemos mais vezes, mas neste momento é uma equipa num patamar completamente diferente do nosso. Tendo em conta o potencial físico dos georgianos, a IRB também tem apoiado muito o desenvolvimento das suas selecções e, consequentemente, o râguebi no país - onde é o principal desporto colectivo.

Além do domínio nos seniores, apresentam todos os anos uma selecção de sub-19/20 muito competitiva e criando dificuldades às selecções do Seis Nações. Há três anos estive num curso da IRB, que é anualmente leccionado na academia da Western Province, na África do Sul.

O treinador da Geórgia, que também marcou presença, estava a passar três meses no país para acompanhar seis jogadores sub-18 georgianos que estavam a fazer treinos personalizados. Isto só para verem a sustentabilidade com que a sua federação da Geórgia, e a IRB, trabalha.

Quanto ao jogo, foi uma continuação em termos ofensivos do que aconteceu na Romênia. Sempre que queríamos mantínhamos alguma continuidade e posse. Os alinhamentos melhoraram, as formações ordenadas foram um pouco complicadas e melhorou a ligação entre os médios.

Melhoramos bastante o nosso jogo ao pé, principalmente a consequente pressão. Defensivamente sempre que quisemos criamos dificuldades e pressionamos conseguimos algumas recuperações de bolas ou erros do adversário. Tivemos alguma dificuldade sempre que aceleravam o jogo, pois o nosso "físico" acabava por ceder.

Em relação aos jogadores, mantivemos uma boa exibição dos centros, Zé Lima e Pedro, e tivemos um formação lutador: Emmanuel. Beneficiamos com a entrada de início do Mike Tadjer e precisamos de mais lutadores como o Aurelién Beco. O Diogo Miranda esteve melhor, mas precisamos que jogue mais em cima da defesa.

Como a qualificação para o Mundial 2015 ficou praticamente impossível, o seleccionador nacional pode agora começar a lançar mais jogadores novos para ganharem experiência internacional, juntamente com os reforços luso-descendentes, desde que esses realmente desejem representar Portugal e sejam mais valias. Não podemos olhar para os interesses de cada um, mas sim para o que pretendemos da nossa selecção.

Na minha opinião o tem faltado a esta selecção nos últimos anos é alegria em jogar. Alegria de representar a selecção. Custa-me ver os jogos, pois não foi assim que nos habituaram a vê-los. Essa, para mim, é a grande diferença entre o antes e o depois de 2007. Fisicamente evoluímos, mas falta alegria (chamei chama na ultima crônica) e falta jogar cada bola como se fosse a ultima.

Antigamente éramos mais "colectivos" e gostávamos de defender, dar a bola ao adversário, e sempre que recuperávamos, tentávamos marcar. Hoje em dia somos mais individualistas, previsíveis, certinhos, mas falta criatividade, conhecimento do jogo, arriscar!

Uma coisa é certa, se não arriscarmos, não cometemos erros, mas na minha opinião, mais vale aprender com os erros do que não fazer nada