“Tenho um relacionamento com um homem e não podia estar mais feliz”

Tom Daley, vedeta britânica dos saltos para a água, fez anúncio através do YouTube.

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Tom Daley durante uma sessão de treinos nos Jogos Olímpicos de 2012 Toby Melville/Reuters

Passavam cinco minutos das 10h quando Tom Daley publicou o vídeo no YouTube e divulgou uma mensagem na rede social Twitter: “Há algo que tenho de dizer... não foi uma decisão fácil de tomar, espero que me possam apoiar!”, escreveu o atleta britânico.

O depoimento de Daley começa por passar em revista vários acontecimentos que marcaram os anos recentes da sua vida, como por exemplo a morte do pai, provocada pelo cancro, em 2011. Depois justifica a decisão de fazer este anúncio com a insistência no tema nas entrevistas e também aquilo que considera ter sido a deturpação das suas palavras em ocasiões anteriores.

“Num mundo ideal não estaria a fazer este vídeo, porque não seria importante. Nunca me senti confortável para falar sobre os meus relacionamentos, apesar de me fazerem essas perguntas. Tive relacionamentos com raparigas, mas nunca foi nada sério de que valesse a pena falar. Mas agora sinto-me preparado para falar sobre esse tema. Na Primavera deste ano a minha vida mudou. Imensamente. Conheci alguém que me faz sentir feliz e seguro, tudo está óptimo. E esse alguém é um homem”, anunciou Tom Daley.

O atleta britânico explicou que decidiu fazer um depoimento em vídeo para que as suas palavras não fossem distorcidas. “O meu pai sempre me disse: ‘Desde que estejas feliz, eu estou feliz’. E, neste momento, eu não podia estar mais feliz. A minha mãe tem-me apoiado muito, como toda a família. Disse-lhes hoje e digamos que houve reacções variadas”, admitiu.

“As pessoas podem ter as suas opiniões, mas acho que não tem demasiada importância”, acrescentou Daley, deixando uma frase que está a gerar debate na imprensa britânica: “Claro que ainda aprecio raparigas, mas nesta altura tenho um relacionamento com um homem e não podia estar mais feliz”.

“Ele nunca menciona a palavra ‘gay’ ou as expressões ‘relacionamento gay’ ou ‘sair do armário’. Pelo contrário, ele faz referência a querer ser honesto, ao facto de ter sido vago mas nunca ter mentido aos media sobre a vida pessoal e, o mais importante, expressa o desejo de evitar ser rotulado pelas outras pessoas”, escreveu Nichi Hodgson, num texto de opinião no The Guardian, com o título “Não devemos precipitar-nos a definir a sexualidade de Tom Daley”.

A mesma autora acrescenta: “Tecnicamente falando, se Daley disse que ainda ‘aprecia raparigas’ mas está num relacionamento com um homem, seria mais rigoroso defini-lo como bissexual. Mas a visibilidade dos bissexuais nos media é uma anedota. Alguém assumir-se bissexual é traduzido como uma de duas coisas: ou tem necessidade de atenção e é promíscuo, ou é gay em negação para agradar aos fãs”.

No The Telegraph, Jim White escreveu que Tom Daley é “o mais proeminente desportista britânico” a assumir um relacionamento com alguém do mesmo sexo, acrescentando outros exemplos como o patinador John Curry, o jogador de críquete Steven Davies e o jogador de râguebi Gareth Thomas.

Há apenas dois casos conhecidos de futebolistas que passaram pelo futebol inglês e assumiram publicamente ser homossexuais: Justin Fashanu foi o pioneiro, em 1990 (suicidar-se-ia em 1998, aos 37 anos). Em Fevereiro deste ano, o norte-americano Robbie Rogers seguiu-lhe o exemplo, anunciando simultaneamente a retirada do futebol (poucos meses depois regressaria ao activo para representar os Los Angeles Galaxy).
 
 
 
 

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Passavam cinco minutos das 10h quando Tom Daley publicou o vídeo no YouTube e divulgou uma mensagem na rede social Twitter: “Há algo que tenho de dizer... não foi uma decisão fácil de tomar, espero que me possam apoiar!”, escreveu o atleta britânico.

O depoimento de Daley começa por passar em revista vários acontecimentos que marcaram os anos recentes da sua vida, como por exemplo a morte do pai, provocada pelo cancro, em 2011. Depois justifica a decisão de fazer este anúncio com a insistência no tema nas entrevistas e também aquilo que considera ter sido a deturpação das suas palavras em ocasiões anteriores.

“Num mundo ideal não estaria a fazer este vídeo, porque não seria importante. Nunca me senti confortável para falar sobre os meus relacionamentos, apesar de me fazerem essas perguntas. Tive relacionamentos com raparigas, mas nunca foi nada sério de que valesse a pena falar. Mas agora sinto-me preparado para falar sobre esse tema. Na Primavera deste ano a minha vida mudou. Imensamente. Conheci alguém que me faz sentir feliz e seguro, tudo está óptimo. E esse alguém é um homem”, anunciou Tom Daley.

O atleta britânico explicou que decidiu fazer um depoimento em vídeo para que as suas palavras não fossem distorcidas. “O meu pai sempre me disse: ‘Desde que estejas feliz, eu estou feliz’. E, neste momento, eu não podia estar mais feliz. A minha mãe tem-me apoiado muito, como toda a família. Disse-lhes hoje e digamos que houve reacções variadas”, admitiu.

“As pessoas podem ter as suas opiniões, mas acho que não tem demasiada importância”, acrescentou Daley, deixando uma frase que está a gerar debate na imprensa britânica: “Claro que ainda aprecio raparigas, mas nesta altura tenho um relacionamento com um homem e não podia estar mais feliz”.

“Ele nunca menciona a palavra ‘gay’ ou as expressões ‘relacionamento gay’ ou ‘sair do armário’. Pelo contrário, ele faz referência a querer ser honesto, ao facto de ter sido vago mas nunca ter mentido aos media sobre a vida pessoal e, o mais importante, expressa o desejo de evitar ser rotulado pelas outras pessoas”, escreveu Nichi Hodgson, num texto de opinião no The Guardian, com o título “Não devemos precipitar-nos a definir a sexualidade de Tom Daley”.

A mesma autora acrescenta: “Tecnicamente falando, se Daley disse que ainda ‘aprecia raparigas’ mas está num relacionamento com um homem, seria mais rigoroso defini-lo como bissexual. Mas a visibilidade dos bissexuais nos media é uma anedota. Alguém assumir-se bissexual é traduzido como uma de duas coisas: ou tem necessidade de atenção e é promíscuo, ou é gay em negação para agradar aos fãs”.

No The Telegraph, Jim White escreveu que Tom Daley é “o mais proeminente desportista britânico” a assumir um relacionamento com alguém do mesmo sexo, acrescentando outros exemplos como o patinador John Curry, o jogador de críquete Steven Davies e o jogador de râguebi Gareth Thomas.

Há apenas dois casos conhecidos de futebolistas que passaram pelo futebol inglês e assumiram publicamente ser homossexuais: Justin Fashanu foi o pioneiro, em 1990 (suicidar-se-ia em 1998, aos 37 anos). Em Fevereiro deste ano, o norte-americano Robbie Rogers seguiu-lhe o exemplo, anunciando simultaneamente a retirada do futebol (poucos meses depois regressaria ao activo para representar os Los Angeles Galaxy).