Monsanto desiste de cultivar novos transgénicos na União Europeia

Multinacional com controversa estratégia de expansão global retirou pedidos de autorização de cultivo de organismos geneticamente modificados no espaço comunitário.

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O milho MON810 é o único transgénico que a Monsanto está autorizada a plantar na UE Philippe Huguen/AFP

O presidente e director-geral da Monsanto na Europa, Jose Manuel Madero, explicou à Reuters que é vontade da empresa pedir autorização para importar para a UE as espécies transgénicas que já planta nos EUA e na América Latina. Para investir na nova estratégia deixam cair a anterior, que pretendia cultivar alguns desses transgénicos na Europa.

“Vamos retirar os pedidos de aprovação nos próximos meses”, revelou Madero, nesta quarta-feira. O responsável da Monsanto falou por telefone com a Reuters, que confirmou a intenção da empresa junto da Comissão Europeia, já informada da decisão. São cinco pedidos para o cultivo de milho geneticamente modificado, um para soja e outro para beterraba-sacarina.

A frustração com o processo de aprovação está a ser apontada como a causa para a renúncia da empresa, que tem uma estratégia de expansão agressiva por todo o mundo. No documentário Le monde selon Monsanto (“O mundo segundo Monsanto”, numa tradução livre), de 2008, Marie-Monique Robin denuncia os contratos com que a multinacional tolhe a acção dos agricultores, assim como as consequências nefastas que a plantação das sementes geneticamente modificadas está a ter nos solos das Américas, de África e da Índia.

Os ambientalistas defendem também que o consumo de transgénicos, a longo prazo, é prejudicial para a saúde – o que a Monsanto contesta. Algo que este recuo não resolve, uma vez que a empresa planeia importar estes mesmos produtos para o espaço comunitário. De resto, a Monsanto continuará a cultivar o único organismo geneticamente modificado a que está autorizado na UE: o milho MON810. Plantado sobretudo na Península Ibérica, o MON810 está, apesar da autorização de Bruxelas, banido na Alemanha, em França e em Itália.

A Greenpeace Europa considera que, apesar de tudo, “são boas notícias para a ciência e a investigação europeias”. Um consultor da organização ambientalista para a política agrícola sustentável, Heman Van Bekkem, sublinhou que “os produtos geneticamente modificados  provaram ser uma tecnologia ineficaz e impopular, com riscos inaceitáveis  para o nosso meio ambiente e a nossa saúde”. “O recuo da Monsanto pode finalmente criar espaço para a agricultura europeia se concentrar em práticas e tecnologias modernas que oferecem avanços reais para a produção alimentar e as comunidades rurais.”

No ano passado, a alemã BASF, autorizada a cultivar um tipo de batata geneticamente modificada nos solos da UE, decidiu trasladar todas as operações relacionadas com transgénicos da Europa para o outro lado do Atlântico. São já duas vitórias do género para os ambientalistas. O que não impede que a UE continue a ser um dos maiores importadores de transgénicos do mundo.

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O presidente e director-geral da Monsanto na Europa, Jose Manuel Madero, explicou à Reuters que é vontade da empresa pedir autorização para importar para a UE as espécies transgénicas que já planta nos EUA e na América Latina. Para investir na nova estratégia deixam cair a anterior, que pretendia cultivar alguns desses transgénicos na Europa.

“Vamos retirar os pedidos de aprovação nos próximos meses”, revelou Madero, nesta quarta-feira. O responsável da Monsanto falou por telefone com a Reuters, que confirmou a intenção da empresa junto da Comissão Europeia, já informada da decisão. São cinco pedidos para o cultivo de milho geneticamente modificado, um para soja e outro para beterraba-sacarina.

A frustração com o processo de aprovação está a ser apontada como a causa para a renúncia da empresa, que tem uma estratégia de expansão agressiva por todo o mundo. No documentário Le monde selon Monsanto (“O mundo segundo Monsanto”, numa tradução livre), de 2008, Marie-Monique Robin denuncia os contratos com que a multinacional tolhe a acção dos agricultores, assim como as consequências nefastas que a plantação das sementes geneticamente modificadas está a ter nos solos das Américas, de África e da Índia.

Os ambientalistas defendem também que o consumo de transgénicos, a longo prazo, é prejudicial para a saúde – o que a Monsanto contesta. Algo que este recuo não resolve, uma vez que a empresa planeia importar estes mesmos produtos para o espaço comunitário. De resto, a Monsanto continuará a cultivar o único organismo geneticamente modificado a que está autorizado na UE: o milho MON810. Plantado sobretudo na Península Ibérica, o MON810 está, apesar da autorização de Bruxelas, banido na Alemanha, em França e em Itália.

A Greenpeace Europa considera que, apesar de tudo, “são boas notícias para a ciência e a investigação europeias”. Um consultor da organização ambientalista para a política agrícola sustentável, Heman Van Bekkem, sublinhou que “os produtos geneticamente modificados  provaram ser uma tecnologia ineficaz e impopular, com riscos inaceitáveis  para o nosso meio ambiente e a nossa saúde”. “O recuo da Monsanto pode finalmente criar espaço para a agricultura europeia se concentrar em práticas e tecnologias modernas que oferecem avanços reais para a produção alimentar e as comunidades rurais.”

No ano passado, a alemã BASF, autorizada a cultivar um tipo de batata geneticamente modificada nos solos da UE, decidiu trasladar todas as operações relacionadas com transgénicos da Europa para o outro lado do Atlântico. São já duas vitórias do género para os ambientalistas. O que não impede que a UE continue a ser um dos maiores importadores de transgénicos do mundo.