Hypeness, o site feito por um "casal sem vergonha"

Em Ilhabela não há semáforos mas há Internet. É a única condição necessária para que Eme e Jaque, um casal que criou dois sites de sucesso no Brasil, consigam trabalhar. Hypeness e Casal Sem Vergonha chegam a milhões de pessoas

Foto
Cristiane Schmidt

Eme Viegas e Jaqueline Barbosa são uma dupla, “no trabalho e fora dele”. Vivem juntos em Ilhabela, no Brasil, e criaram os sites Hypeness e Casal sem vergonha, cujos artigos circulam um pouco por todo o universo de língua portuguesa. Quisemos saber como se conheceram. E eles responderam a todas as perguntas do P3. “Parece mentira mas foi pela Internet”, começa Jaque. E continua: “Quando o Orkut era a principal rede social por aqui, encontrei o perfil do Eme e interessei-me. Insisti tanto que consegui a atenção dele”. Saíram para se conhecerem e não se largaram mais.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Eme Viegas e Jaqueline Barbosa são uma dupla, “no trabalho e fora dele”. Vivem juntos em Ilhabela, no Brasil, e criaram os sites Hypeness e Casal sem vergonha, cujos artigos circulam um pouco por todo o universo de língua portuguesa. Quisemos saber como se conheceram. E eles responderam a todas as perguntas do P3. “Parece mentira mas foi pela Internet”, começa Jaque. E continua: “Quando o Orkut era a principal rede social por aqui, encontrei o perfil do Eme e interessei-me. Insisti tanto que consegui a atenção dele”. Saíram para se conhecerem e não se largaram mais.

Isto foi há quatro anos. Na altura viviam em São Paulo, onde ambos nasceram; Jaque trabalhava como tradutora e professora de inglês e Eme como publicitário. Sempre em stress. Um dia acordaram e perceberam: “Não estamos felizes”. Foi um dia normal, o tal em que o clique aconteceu. “Sempre que esse sentimento nos atinge, é o coração a dizer para mudar”, diz Eme. Começaram, então, “a correr atrás”.

De tradutora e publicitário passaram a produtores de conteúdo. “Queríamos fazer algo mais autoral, mais criativo e inspirador”, conta Eme, para quem a possibilidade de trabalhar e viajar, com um horário próprio, sempre foi aliciante. Mudaram de vida — e, por isso, o projecto Continuecurioso fez um vídeo sobre eles (vê vídeo ao lado).

Foto
Em Ilhabela, os dois jovens vivem no meio da natureza, numa agrovila Cristiane Schmidt

Isto foi há dois anos e meio. O Hypeness e o Casal sem vergonha surgiram juntos, como uma forma de Eme e Jaque solucionarem um problema. Foi assim que se mudaram daquela cidade “caótica” para Ilhabela — “uma ilha que nem semáforos tem”, aponta Jaque, editora de conteúdos (Eme é director de novos negócios e planeamento).

Foto
Apesar de trabalharem juntos, em casa, cada um ocupa um andar Cristiane Schmidt

Sites que pagam a renda

Foto
Eme e Jaque estão juntos há quatro anos e há mais de dois que decidiram mudar de vida Cristiane Schmidt

O Casal sem vergonha, diz Jaque, “é o único site brasileiro que trata de comportamento e sexualidade de uma forma inovadora”. Daí as 2,5 milhões de visitas mensais que regista, uma ideia que começou por ser um projecto de livro e evoluiu para um site.

Artigos com títulos como “Felizes para (quase) sempre: os  maiores desafios dos relacionamentos longos” ou “Os opostos se atraem — por que você não deve acreditar nessa mentira” era algo que faltava aos leitores brasileiros, “modernos, que têm uma visão mais livre de relacionamentos e que não são tão presos aos tabus”. “Não menosprezamos a inteligência dos nossos leitores”, reforça a jovem.

Já o Hypeness, descreve Eme, é o “primeiro site brasileiro focado em inovação”, com “conteúdo inspirador em várias áreas, como arte, fotografia, design, empreendedorismo, sustentabilidade”.

Hoje são os dois sites que lhes pagam a renda (juntos somam mais de cinco milhões de visitas por mês). É um “full time job” feito a partir de uma “agrovila” no meio do verde e dos animais. Entre artigos sobre tecnologia ou sexualidade, Jaque e Eme podem cruzar-se com galinhas, patos, cobras, lagartos, cães e passarinhos, “todos da comunidade”.

Um projecto de vida

São, sobretudo, profissionais naquilo que fazem, define Jaque. “A Internet abre a possibilidade para toda a gente criar conteúdo mas, justamente por isso, só os bons profissionais conseguem estabelecer-se no mercado.”

Para Eme, de 30 anos, ambos os projectos têm sucesso porque se tornaram no projecto de vida do casal. “Estamos no foco e na fé desde o início, acreditando que vai dar certo e dando o nosso máximo para fazer isso acontecer”, remata.

A receita que seguem para ter sucesso a trabalhar a partir de casa é igual à de todas as pessoas que também o fazem: “É preciso ter mais disciplina do que se estivesse num escritório com o chefe a controlar tudo”, diz Jaque, 24 anos, para quem não têm chefes, antes clientes. Trabalham entre dez a doze horas por dia. “Parece muito mas envolvemo-nos tanto com o trabalho que o dia voa.” Cada um ocupa um piso da casa e encontram-se “eventualmente para discutir sobre algum tema, fazer 'brainstorming'”.

Pelo meio, e sempre que lhes apetecer, podem fazer uma pausa no meio da natureza e dar um mergulho no mar. Porque Ilhabela não tem semáforos mas tem praia. E daquela de aspecto paradisíaco de fazer inveja.