Situação de desemprego vai agravar-se, prevê a OIT

A Organização Internacional do Trabalho, em 2012, somou mais quatro milhões aos desempregados no mundo. São agora 197 milhões.

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O pior, afirma a OIT, ainda estará para vir. Apesar de o Banco Mundial apontar para a retoma económica mundial no fim de 2013 e inícios de 2014, o mercado de trabalho deve degradar-se ainda mais durante esses dois anos. Para 2013, a OIT espera mais 5,1 milhões de desempregados. Para 2014, mais três milhões.

A maior parte do desemprego mundial continua concentrado nas economias desenvolvidas. Mas em 2012 a tendência inverteu-se, de acordo com o relatório da OIT. Três quartos dos quatro milhões de novos desempregados de 2012 foram registados em economias em desenvolvimento, um facto que aponta para um alastramento agravado das consequências da crise internacional de 2008.

O aumento do desemprego foi maior no Este e Sul asiático e na África subsariana. Já as áreas que escaparam ao aumento significativo do desemprego não fugiram à deterioração da qualidade laboral. A Organização Internacional do Trabalho aponta para um aumento no "emprego vulnerável" e no número de trabalhadores que vivem "abaixo ou muito próximo da linha de pobreza".

De acordo com a OIT, a recessão europeia tem grande parte da responsabilidade no contágio do surto do desemprego às economias emergentes. Por um lado, a Europa cortou nas importações à Ásia, em particular no caso da China, que serve como motor económico da região e que em 2012 registou o pior ano de crescimento da economia desde 1999.

Para além do mais, a OIT aponta para a política da zona euro como o principal caso de "incoerência entre política monetária e orçamental". Esta incoerência na abordagem à crise da dívida soberana, argumenta a organização, levou à "incerteza no panorama mundial".

Este ponto surge como uma das principais preocupações da OIT. De entre as propostas para uma linha de políticas económicas "mais coerente e previsível", a organização refere ainda que devem existir perspectivas "credíveis" de saída da crise para países "particularmente afectados pela crise da dívida", que passariam por um "alívio dos fardos financeiros nas famílias".

Condições de trabalho para os jovens vão piorar
Dos 197 milhões de desempregados, 73,8 milhões são jovens. Em 2012, a taxa de desemprego nos jovens aumentou para 12,6%, sendo que a OIT espera que, até 2014, haja mais 500 mil jovens desempregados, o que deve forçar a taxa para os 12,9%.

"A crise diminuiu dramaticamente as perspectivas de trabalho para os jovens, já que muitos são afectados pelo desemprego de longo prazo desde a sua entrada no mercado de trabalho, uma situação nunca antes vista em outras recessões cíclicas", lê-se no documento.

Os números apontam para uma deterioração das condições de trabalho para os jovens. Desde 2007 que a percentagem de jovens desempregados há mais de seis meses aumentou dos 28,5% para os 35%.

A OIT diz que este problema é "particularmente severo" na Europa, onde 12,7% dos jovens se encontram desempregados e fora do ensino ou formação profissional.

Ciclo vicioso e apelo ao investimento
Um dos principais problemas identificados pela OIT para o aumento do desemprego é a falta de investimento económico. Face a uma crise que também afecta a disponibilidade de crédito para os consumidores e empresas e que, por arrasto, leva também a um nível de investimento abaixo do normal, o crescimento económico encontra-se hesitante. Uma condição que se vai alimentando a si própria até que haja, como afirma a OIT; outras fontes de investimento.

"Medidas de austeridade e tentativas descoordenadas para promover a competitividade em vários países europeus aumentaram o risco de uma espiral deflacionária de salários mais baixos, consumo mais enfraquecido e a queda da procura mundial", lê-se no relatório da OIT, divulgado na noite de segunda-feira.

A organização aponta então para os Governos e para os investidores privados. Mas a OIT exige investimento pelos Governos apenas nos casos em que haja espaço de manobra orçamental.

A falta de investimento está também a levar as economias emergentes a não aumentarem os seus padrões de qualidade de vida. A Organização Internacional do Trabalho afirma que os países emergentes abandonaram a tendência para adoptar reformas estruturais. Isto porque, defende a OIT, deixou de haver investimento a forçar a migração de postos de trabalho da agricultura para a indústria, por exemplo.
 
 
 

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O pior, afirma a OIT, ainda estará para vir. Apesar de o Banco Mundial apontar para a retoma económica mundial no fim de 2013 e inícios de 2014, o mercado de trabalho deve degradar-se ainda mais durante esses dois anos. Para 2013, a OIT espera mais 5,1 milhões de desempregados. Para 2014, mais três milhões.

A maior parte do desemprego mundial continua concentrado nas economias desenvolvidas. Mas em 2012 a tendência inverteu-se, de acordo com o relatório da OIT. Três quartos dos quatro milhões de novos desempregados de 2012 foram registados em economias em desenvolvimento, um facto que aponta para um alastramento agravado das consequências da crise internacional de 2008.

O aumento do desemprego foi maior no Este e Sul asiático e na África subsariana. Já as áreas que escaparam ao aumento significativo do desemprego não fugiram à deterioração da qualidade laboral. A Organização Internacional do Trabalho aponta para um aumento no "emprego vulnerável" e no número de trabalhadores que vivem "abaixo ou muito próximo da linha de pobreza".

De acordo com a OIT, a recessão europeia tem grande parte da responsabilidade no contágio do surto do desemprego às economias emergentes. Por um lado, a Europa cortou nas importações à Ásia, em particular no caso da China, que serve como motor económico da região e que em 2012 registou o pior ano de crescimento da economia desde 1999.

Para além do mais, a OIT aponta para a política da zona euro como o principal caso de "incoerência entre política monetária e orçamental". Esta incoerência na abordagem à crise da dívida soberana, argumenta a organização, levou à "incerteza no panorama mundial".

Este ponto surge como uma das principais preocupações da OIT. De entre as propostas para uma linha de políticas económicas "mais coerente e previsível", a organização refere ainda que devem existir perspectivas "credíveis" de saída da crise para países "particularmente afectados pela crise da dívida", que passariam por um "alívio dos fardos financeiros nas famílias".

Condições de trabalho para os jovens vão piorar
Dos 197 milhões de desempregados, 73,8 milhões são jovens. Em 2012, a taxa de desemprego nos jovens aumentou para 12,6%, sendo que a OIT espera que, até 2014, haja mais 500 mil jovens desempregados, o que deve forçar a taxa para os 12,9%.

"A crise diminuiu dramaticamente as perspectivas de trabalho para os jovens, já que muitos são afectados pelo desemprego de longo prazo desde a sua entrada no mercado de trabalho, uma situação nunca antes vista em outras recessões cíclicas", lê-se no documento.

Os números apontam para uma deterioração das condições de trabalho para os jovens. Desde 2007 que a percentagem de jovens desempregados há mais de seis meses aumentou dos 28,5% para os 35%.

A OIT diz que este problema é "particularmente severo" na Europa, onde 12,7% dos jovens se encontram desempregados e fora do ensino ou formação profissional.

Ciclo vicioso e apelo ao investimento
Um dos principais problemas identificados pela OIT para o aumento do desemprego é a falta de investimento económico. Face a uma crise que também afecta a disponibilidade de crédito para os consumidores e empresas e que, por arrasto, leva também a um nível de investimento abaixo do normal, o crescimento económico encontra-se hesitante. Uma condição que se vai alimentando a si própria até que haja, como afirma a OIT; outras fontes de investimento.

"Medidas de austeridade e tentativas descoordenadas para promover a competitividade em vários países europeus aumentaram o risco de uma espiral deflacionária de salários mais baixos, consumo mais enfraquecido e a queda da procura mundial", lê-se no relatório da OIT, divulgado na noite de segunda-feira.

A organização aponta então para os Governos e para os investidores privados. Mas a OIT exige investimento pelos Governos apenas nos casos em que haja espaço de manobra orçamental.

A falta de investimento está também a levar as economias emergentes a não aumentarem os seus padrões de qualidade de vida. A Organização Internacional do Trabalho afirma que os países emergentes abandonaram a tendência para adoptar reformas estruturais. Isto porque, defende a OIT, deixou de haver investimento a forçar a migração de postos de trabalho da agricultura para a indústria, por exemplo.