égoïste: sexo para elas

Terminou o "ele" compra para "ela". Nesta loja erótica online, a mulher satisfaz-se, em casal ou sozinha, sem tabus

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Imaginemos uma daquelas comédias românticas de domingo à tarde. Um jantar à luz das velas, uma música a preceito (aceita-se Barry White), uns risinhos nervosos. A meio do jantar, depois de um trago de vinho, ela confessa o que a inquietava: "Amor, hoje, quando formos... tu sabes... gostava de usar um vibrador."

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Imaginemos uma daquelas comédias românticas de domingo à tarde. Um jantar à luz das velas, uma música a preceito (aceita-se Barry White), uns risinhos nervosos. A meio do jantar, depois de um trago de vinho, ela confessa o que a inquietava: "Amor, hoje, quando formos... tu sabes... gostava de usar um vibrador."

Ao dizê-lo em voz alta, apercebe-se de que não faz sentido ter tanto receio. Afinal, ele é o seu namorado. Certamente que não vai levar a mal, pelo contrário. Já estava a imaginar como acabaria a noite quando ouviu a resposta. (No tal filme agora entraria um qualquer hino dramático com muitos violinos e violoncelos.) Estava redondamente enganada. Ele não queria. Enquanto se atropelava em justificações, ela percebeu: tinha ciúmes do tal vibrador.

Neste caso, o filme é fantasiado, mas qualquer semelhança com a realidade não é coincidência. Já aconteceu, com menos romantismo, é certo, mas com um argumento semelhante, confirma Adalberto Teixeira, que, com a namorada Marta Filipe, criou a égoïste, uma boutique erótica online que pretende acabar com estes mitos. 

O público-alvo são elas, as mulheres, que tantas vezes foram "relegadas para segundo plano" no que toca à sua sexualidade, diz Adalberto. "A ideia de que as mulheres não têm sexualidade tem de terminar rapidamente. Não somos taradas só por gostarmos de sexo", sublinha Marta.

Terminou o "ele" compra para "ela"

égoïste surgiu há menos de um mês. Adalberto e Marta queriam "mudar de vida" e decidiram arriscar. Por curiosidade, começaram a visitar sites de "sex shops" e perceberam que, apesar de interessados nos produtos, não se identificavam nada com aquele ambiente. Era tudo muito "vulgar" e estava envolto numa penumbra de "secretismo" que se tornava ainda mais obscura quando o cliente era mulher.

A loja é online, mas o futuro até pode passar por um espaço físico. "É uma questão de orçamento", afiança Adalberto. 

À venda têm, por exemplo, "lingerie" da Bordelle e Lascivious, que venceu este ano o prémio de marca independente do ano nos "UK Lingerie Awards", preservativos da Loops com abertura fácil, vibradores da LELO e Zini, lubrificantes, óleos de massagem e pinturas comestíveis. Na secção "Filmes" há filmes da Erika Lust, realizadora sueca, sediada em Barcelona, precursora da chamada "pornografia feminista".

O objectivo do portal é mudar as regras do jogo, mas sempre com "classe". "Terminou o 'ele' compra para 'ela'", diz Marta. "Estamos vocacionados para mimar o casal através da mulher, mas a mulher também tem direito a satisfazer-se sozinha." A ser egoísta, como o próprio nome indica. "Não temos de ter vergonha de consumir este tipo de produtos."