Quem conduz um alfa pode não saber conduzir um regional

Maquinista de comboio foi definida como profissão de futuro. Todas as máquinas exigem uma formação diferente

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Miguel Marques acredita que tem uma profissão com futuroMCP

Se a aposta que existiu na melhoria das estradas existir no caminho de ferro nos próximos anos, um recente estudo que define a profissão de maquinista como uma das 129 estratégicas para o país na próxima década “faz todo o sentido”, diz Miguel Marques, maquinista na CP há 11 anos.

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Se a aposta que existiu na melhoria das estradas existir no caminho de ferro nos próximos anos, um recente estudo que define a profissão de maquinista como uma das 129 estratégicas para o país na próxima década “faz todo o sentido”, diz Miguel Marques, maquinista na CP há 11 anos.

“Há investimentos que têm mesmo de ser feitos” no caminho de ferro e, se isso acontecer, “é inevitável que a profissão cresça”, afirma, ao comentar o estudo do Instituto de Emprego e Formação Profissional, Agência Nacional para a Qualificação e gabinete de planeamento do Ministério da Economia.

Miguel Marques trabalha nos comboios regionais – nas linhas do Douro e Minho. Mais do que um emprego, para ele, os comboios são uma paixão: o pai era chefe de estação e desde miúdo dizia que queria ser maquinista.

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Depois de um curso intensivo, há uma formação diferente para todos os comboios Paulo Ricca

 

Oito meses intensivos

Um dia viu um anúncio no jornal e decidiu concorrer. Fez um curso intensivo de oito meses ao qual se foram seguindo outros cursos. Isto porque “todos os comboios são diferentes” e quem está habilitado a conduzir um alfa pode não estar preparado para conduzir um regional. 

A formação base para ser maquinista, diz o jovem de 36 anos, é “pesada”: “Tínhamos livros que achava que seriam para um período e que eram para uma semana”. Além da condução, a segurança do comboio é responsabilidade do maquinista, daí que tenham de ter conhecimentos técnicos para resolver possíveis avarias. 

Os horários e as noites passadas longe de casa são as queixas mais habituais de quem escolhe a profissão. Mas, para Miguel Marques, tudo é uma questão de perspectiva: “Custa levantar às cinco da manhã, mas penso que depois tenho a tarde livre, é como a história do copo meio cheio ou meio vazio”.

Em início de carreira o salário de um maquinista é de cerca de 1000 euros, ao fim de 11 anos, Miguel Marques ganha 1200 euros. É a profissão com que sonhou e o curso de Geografia, que está a fazer na Universidade do Porto, não antecipa uma saída: “É por uma questão de enriquecimento pessoal”.