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  • Quando Ana Matos Fernandes nasceu, a Revolução do 25 de Abril contava com 12 efemérides. Mais de 40 anos volvidos, e com a festa dos cravos a ameaçar cair no esquecimento das gerações mais novas, a rapper que entretanto se rebaptizou como Capicua foi a aposta mais certa para garantir o desejado cruzamento de gerações que se viu, na segunda-feira à noite, na Avenida dos Aliados, no Porto. Com a sua escrita emotiva e politicamente engajada, com uma recente incursão pelo universo infantil e pró-ecologista, Capicua foi o elo que faltava entre quem é demasiado novo para saber o que foi o 25 de Abril e os que são já demasiado velhos para fazer perdurar a memória por muito mais tempo. Além do hip hop, e do fogo-de- artifício que, como sempre, estalou à meia-noite, a multidão que encheu a sala de visitas da cidade pôde assistir a uma actuação do Coral de Letras. Os cravos vermelhos, claro está, ajudaram a cumprir a tradição. 

  • Pinocchio “esquiva-se sempre a tempo” das aventuras em que embarca e no fim transforma-se em menino de verdade, mas será que conseguiu a liberdade? Bruno Bravo, o encenador desta peça que agora chega ao Teatro Carlos Alberto, no Porto, diz que apesar de ter nascido “com um espirito de liberdade”, o boneco não sabe como ser livre, uma questão que “toca a todos”.

    Para Bruno, “o texto original é de uma beleza muito grande, é complexo, tem tragédia, é uma espécie de pesadelo nocturno que anda muito à volta da moral”. E se o texto é assim, a peça aviva mais estas características, é como o próprio encenador diz “uma reflexão sobre a sociedade e sobre a condição humana”.

    Pinocchio vai estar no Teatro Carlos Alberto de 15 a 19 de Março.

  • Não é como no São João. O metro não está à pinha, a ponte D. Luís não abana e não há um mar de gente a engolir os Aliados. Ainda se consegue passar de bar para bar nas galerias e é rápido encontrar alguém no meio da multidão. Basta procurar pelo dinossauro azul. Ou pela Frida Kahlo.