Artigos deste autor

  • No discurso de aceitação do Nobel da Literatura, Mo Yan não disse uma palavra sobre Liu Shiaobo, o chinês que está preso e não pôde, em 2010, ir a Oslo receber o Nobel da Paz. Preferiu contar histórias

  • Na China, a ideia de cidade está ligada à de utopia, como na Europa acontecia na Renascença. No entanto, nessas imensas metrópoles de sonho, nunca se vê o céu. Aqueles que foram os grandes erros urbanísticos do Ocidente parecem estar a ser repetidos, com consciência e orgulho

  • A maioria dos 180 mil protestos de massas que todos os anos rebentam na China ocorre nos campos. Os camponeses foram as principais vítimas do maoísmo, apesar de a revolução ter sido feita por eles e para eles. Quando as reformas de Deng Xiaoping abriram o país à economia de mercado, foi nos campos que surgiu a revolução capitalista. A iniciativa dos camponeses criou a riqueza que levou ao desenvolvimento das cidades. Agora que este crescimento está a roubar as terras aos camponeses, é do mundo rural, mais uma vez, que sopram os ventos da revolução

  • Depois de deixar a aldeia, não há volta atrás. Por muito duro que seja o trabalho na fábrica, o regresso é uma derrota. A população rural foi encorajada a migrar para as cidades, mas continua a ser discriminada no acesso à educação, à saúde e à habitação. A mobilidade social é possível, mas não é fácil