Comentário
As razões de um regresso
Para um jovem jornal foi o teste decisivo. Lançado a 5 de Março de 1990, o PÚBLICO nascera por entre uma sucessão de acontecimentos mundiais extraordinários. O Iraque invadiu o Kuwait e no dia seguinte a manchete do PÚBLICO era esta: “Iraque desafia superpotências”.
Entrevista a Hussain Sinjari
"Em breve o Iraque será o maior exportador de petróleo do mundo"
Ex-ministro das Municipalidades no Governo Regional do Curdistão Iraquiano, Hussain Sinjari nasceu na Níneve bíblica e passou anos nas montanhas do Norte a combater o regime de Saddam. É embaixador do Iraque em Lisboa.
535 mortos
Julho foi o pior mês dos últimos dois anos no Iraque
O mês de Julho foi o mais mortífero dos últimos dois anos no Iraque, lançando receios quanto a um recrudescimento da violência, cinco meses após as eleições legislativas e num momento em que as forças norte-americanas no país estão a retirar gradualmente.
Reportagens
Uma visita guiada
Erbil: Restam dez anos para salvar esta cidadelaA cidadela está dentro de muralhas e isso ajuda sempre a imaginar como era a vida. Uma visita guiada por um especialista em conservação de património ajuda ainda mais. Esta cidade tem uma cidadela magnífica e quer poder orgulhar-se dela. David Michelmore também.
Bagdad
A grande ruínaA erva cresce por toda a parte, mesmo sem água. Os animais encontram onde beber. Um país arrasado, uma cidade destruída por bombas e depois por explosões, bombas humanas sem fim. Gente ameaçada de morte. Gente com fome e sem dinheiro para a renda. Sem desistir. Al-Rasheed é o maior campo de deslocados do Iraque. Está cheio de gente que recusou morrer.
Informação
Enquanto houver gente a gritar vai haver jornalistas no IraqueAntes, o Iraque era o país do silêncio. Só se ouvia Saddam Hussein e a voz do dono. Agora, o Iraque é o país das mil vozes. O que não quer dizer que o jornalismo seja independente e livre. Quer só dizer que se faz de mil vozes, mesmo que os iraquianos só ouçam cem ou dez.
As cidades que crescem
O Curdistão iraquiano é o novo mundoA capital dos curdos parece que vai rebentar, de tantas gruas e prédios a meio. Ao resto da região chegam as infra-estruturas e tudo o que faltava.
Reportagem
Lalish, onde a vida começou depois da grande inundaçãoHá 800 mil no mundo, a maioria a viver no Iraque. Vai haver sempre yazidis. Com um templo assim, vai valer sempre a pena regressar.
Amputados de minas e bombas
Quando há um centro ortopédico assim, o corpo é que ganhaAberta pela Cruz Vermelha em 1996, esta casa faz tudo por um amputado. Fabrica próteses e órteses, pedaços de amparo. Ampara até ser preciso.
Uma cidade para viver e rezar
Em Ankawa, os cristãos caldeus são protegidos pelos muçulmanosO padre Luis Kakos agradece "ao Governo do Curdistão e a Deus". Hamdulillah! "Aqui os muçulmanos protegem-nos e as pessoas vivem em segurança." As crianças cantam e batem palmas.
Quando a violência é a tortura
Um centro médico para tratar feridas escondidasHá salas com brinquedos e livros de colorir, outra com um saco de boxe. Há médicos que tratam o corpo e que tentam tratar do resto. Ainda bem.
A cidade mais rica e a mais pobre
Kirkuk, a amaldiçoadaBem-vindos a Kirkuk, que foi de curdos e depois de árabes, é de turcomanos, cristãos e xiitas. Cidade que é de petróleo e que os curdos querem e os árabes não largam.
Os árabes sunitas após Saddam
As sete vidas do xeque ZaidHá um código com Kalashnikov e um jantar. Houve um percurso, de odiar os americanos a precisar deles.
Bagdad sem água e às escuras
Taha Khadh só quer um ditador e electricidadeToda a gente tem de pagar contas. No Iraque, é preciso somar geradores e combustível para os alimentar. O Inferno não foi feito para os vivos.
União: um xiita e uma sunita
Adnan vai tomar conta de ShahedO noivo não pára de sorrir. A noiva, tímida, também não. É bonita a festa. As pessoas apaixonam-se em qualquer sítio e em qualquer altura, já se sabe.
História do Iraque
Onde havia um museu de verdade há agora um edifício moribundoMuhsin Ali não consegue escolher o artefacto que mais impressão lhe fez descobrir que fora roubado ou partido. Mas diz que todos fazem falta no seu museu porque "todos mudaram a história
O futebol explica quase tudo
Bush não marcou e o Petróleo do Sul perdeu contra o Clube da Polícia"Se não há electricidade, como é que o futebol pode unir as pessoas?", pergunta o treinador Azad Hamad, em Bagdad. Não pode, como é fácil de ver
Hamed al-Maliki
"Tínhamos um Saddam, agora temos 100"Pessimismo ou "estatística da história", o dramaturgo Maliki desistiu do país onde nasceu. O futuro é negro e a seguir é o deserto.
A nova elite política em Bagdad
Esta deputada acredita no país e no futuroA capital do Iraque é hoje uma cidade sem grande ambição, acomodada a uma realidade que é feia. Safia al-Suhail pode ser a excepção.
No maior cemitério do mundo
Najaf: No mar seco de todas as guerras os mortos contam a história do islãoÀs portas de Najaf, Wadi al-Salam é o maior cemitério do mundo e vai continuar a crescer. Em 2003, os ayatollahs ordenaram aos fiéis que não lutassem, mas o cisma que dividiu os muçulmanos voltou a matar.
Nos pântanos da Mesopotâmia
É preciso salvar o jardim do ParaísoAparece na lista de crimes ecológicos de Saddam Hussein e é tido como um dos grandes atentados ambientais de sempre, mas para Umm Ali, Abu Ali e Abu Mohammed o que o antigo ditador fez foi tentar matá-los. Arrancou-os pela raiz e fez deles estrangeiros. Porque os madan não são iraquianos. São árabes dos pântanos.
Bassorá, a cidade das viúvas
As viúvas iraquianas são a sombra da guerra que a paz preferiu esquecerNinguém sabe quantas viúvas há no Iraque. São muitas e poucas recebem ajuda do Governo. Fatimah Khadum faz o que pode e a Cruz Vermelha também ajuda
Kuwait, a memória da invasão
Demasiado pequenos e demasiado ricos para tamanha tragédiaAs feridas visíveis foram há muito apagadas. Sobram as que não se vêem e as que foram deixadas em exposição.


