AR aprova conversor Lince e empresa refuta erros

O Parlamento vai aplicar o novo Acordo Ortográfico a 1 de Janeiro de 2012, adoptando o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) do ILTEC - Instituto de Linguística Teórica e Computacional e, como suporte informático, irá utilizar o conversor Lince, na sequência da aprovação por unanimidade, ontem, de uma proposta de Jaime Gama. O Governo também já os tinha escolhido na passada semana.

A qualidade do conversor Lince e do vocabulário foi criticada pela empresa concorrente Priberam, que aponta erros ortográficos tanto na conversão da actual para a nova grafia como no VOP do ILTEC. O administrador Carlos Amaral questiona mesmo quem e como avaliou o Lince e a razão para o Governo decidir adoptar oficialmente um programa informático em detrimento de outros, também gratuitos, já existentes no mercado.

"O VOP é a maior base lexicográfica do português: tem 1,5 milhões de formas, é normal que tenha alguns erros", disse ao PÚBLICO José Pedro Ferreira, coordenador das bases de dados de português do ILTEC, negando, porém, todos os exemplos que a Priberam havia identificado ao PÚBLICO - até porque há "diversos critérios de interpretação de algumas regras" do novo acordo. O VOP, acrescenta, é um "léxico gratuito, aberto e que pode ser corrigido". Só ainda está disponível na Internet - para se tornar uma referência deve ser também impresso - porque "terá que ser a tutela a seleccionar os termos para a edição impressa", que tem que ser muito mais reduzida. Como é o caso do vocabulário que está a ser compilado pela Academia das Ciências (de 50 mil entradas) e que já vai com mais de um ano de atraso.

O ILTEC é uma parceria da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e das universidades de Lisboa e Nova e recebeu financiamento do Fundo da Língua Portuguesa para os projectos que estão disponíveis gratuitamente na Internet. À empresa privada Knowledgeworks contratou o desenvolvimento da aplicação informática.

A Priberam também critica o facto de o conversor escolhido pelo Governo e pelo Parlamento ser o que ficou em último lugar num estudo comparativo da Universidade do Minho. José Pedro Ferreira desmente e diz que esta "é uma acusação de má-fé": o que a universidade testou no ano passado "não foi o Lince porque este só foi lançado em 2010, mas um protótipo experimental de conversor" do tipo dos que havia no mercado e entretanto desactivado. Além disso, defende, "o Lince é uma aplicação muito mais complexa" que as existentes, "convertendo pastas com mil documentos de uma só vez".

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