A dúvida é se o Sp. Braga vai estar representado na selecção

Paulo Bento anuncia hoje, em Óbidos, a lista de 23 jogadores que no próximo mês vão representar Portugal no Europeu organizado por Polónia e Ucrânia

Em 2004, meio país tentou, sem sucesso, adivinhar por que motivo Luiz Felipe Scolari deixou Vítor Baía de fora do Campeonato da Europa. O treinador brasileiro voltou a suscitar alguma polémica em 2006 (Mundial na Alemanha), quando preteriu o também portista Quaresma. Cada vez com menor impacto, a situação repetiu-se dois anos depois (Europeu na Áustria/Suíça), quando se percebeu que Maniche tinha ficado de fora da lista final, ao contrário do seu irmão Jorge Ribeiro. Em 2010, já com Carlos Queiroz no comando, João Moutinho não recebeu o bilhete para a viagem para a África do Sul e o guarda-redes Rui Patrício acabou, de forma surpreendente, por perder a corrida para Daniel Fernandes. Nestas alturas, parece haver uma tendência para os seleccionadores provocarem um efeito-choque. E a dúvida é se o normalmente circunspecto Paulo Bento também irá levar na manga uma surpresa quando hoje anunciar a lista de 23 jogadores que, dentro de um mês, irão participar no Campeonato da Europa que vai ter lugar na Polónia e na Ucrânia. Irá finalmente chamar alguém do Sporting de Braga (Miguel Lopes e Hugo Viana são os candidatos principais)?

O lote de jogadores portugueses de elite é reduzido e qualquer adepto atento escolheria a generalidade dos jogadores que vão ser revelados pelo seleccionador nacional em Óbidos. É garantido que não vai ficar de fora nenhum dos nomes mais mediáticos e ninguém estará longe da verdade se disser que 19 nomes estão absolutamente certos. E a lista dos garantidos até pode ser mais extensa se incluirmos o guarda-redes Beto, que tem grandes possibilidades de ser um dos guarda-redes escolhidos, em detrimento do bracarense Quim. Pelo menos foi essa a tendência durante a fase de apuramento, sendo que Beto se manteve, entretanto, em bom plano ao serviço dos romenos do Cluj.

Se Paulo Bento seguir os cânones habituais, irão ser convocados três guarda-redes, sete defesas, seis médios e sete avançados. Verdadeiramente, só existem três dúvidas, uma na defesa e duas no meio-campo. Com Ricardo Carvalho riscado devido à sua fuga do estágio antes do jogo com Chipre, o lote de centrais deve ter ficar completo com a inclusão de Ricardo Costa, que tem sido titular no Valência e tem a seu favor a experiência e a presença nas últimas grandes competições ao nível da selecção.

João Pereira e Fábio Coentrão também estão certos e a dúvida é quem irá ocupar a outra vaga nas laterais. Bosingwa, por razões mal explicadas, há muito que deixou de ser hipótese. Eliseu perdeu claramente terreno, tal como Duda. A escolha deverá ser entre Nélson (Bétis), Miguel Lopes (Sp. Braga) ou Sílvio (Atlético de Madrid). Este último acaba de recuperar de uma grave lesão no joelho e poderá ser prejudicado pela falta de competição.

No miolo, não há quaisquer dúvidas sobre os donos de quatro das seis vagas: João Moutinho, Raul Meireles, Miguel Veloso e Carlos Martins. Do grupo constituído por Rúben Micael, Manuel Fernandes, Hugo Viana e Custódio deverão sair os dois restantes nomes.

O primeiro parece em vantagem. Tem sido sempre chamado por Paulo Bento, mas não tem estado em grande destaque nos espanhóis do Saragoça, antes pelo contrário. Manuel Fernandes esteve longe de aproveitar a última convocatória, mas tem estado em destaque ao serviço dos turcos do Besiktas e tem características que não abundam na selecção portuguesa.

Acontece o mesmo com Hugo Viana, que poderia ser muito útil quando Portugal precisasse de mudar um pouco a sua habitual abordagem ao jogo, uma vez que é fortíssimo nas bolas paradas e também exímio nos lançamentos de longa distância. Mas Paulo Bento não chamou o médio nem quando ele e o próprio Sp. Braga atravessavam momentos exuberantes.

Custódio podia ser um nome credível se o seleccionador decidisse aproveitar a sua boa forma para apostar num verdadeiro médio defensivo, algo que não acontece com mais nenhum dos restantes nomes. Refira-se que Rúben Amorim foi prejudicado nesta corrida pela lesão sofrida já ao serviço do Sp. Braga.

A vez de Nélson Oliveira

Fruto da sua elogiada carreira no campeonato português, o clube bracarense tem oito jogadores pré-convocados: Quim, Nuno André Coelho, Miguel Lopes, Custódio, Hugo Viana, Rúben Amorim, Hélder Barbosa e Nuno Gomes. De facto, Ukra é o único português do plantel minhoto que não fez parte da primeira listagem de Paulo Bento. Mas quem conhece o seleccionador nacional sabe que isso não será razão suficiente para que o clube bracarense esteja seguro de que irá estar representado.

O lote de avançados ficou praticamente definido em Fevereiro, quando Danny, uma das estrelas do Zenit S. Petersburgo, sofreu uma rotura do ligamento cruzado anterior do joelho. Apesar de só ter somado sete minutos de utilização na fase de qualificação, a vaga deverá ser ocupada pelo portista Varela.

Irá também confirmar-se a presença do jovem benfiquista Nélson Oliveira, que já foi chamado para o "particular" com a Polónia. Irá funcionar como alternativa aos pontas-de-lança Hugo Almeida e Hélder Postiga.

A lista que vai ser anunciada hoje por Paulo Bento ainda poderá sofrer alterações até ao próximo dia 29, data final estabelecida pela UEFA. Depois disso podem ser autorizadas mudanças casuísticas e em resultado apenas de lesões, que terão de ser confirmadas pelo corpo clínico do próprio organismo que gere o futebol europeu. Essa eventualidade pode ocorrer até à realização do primeiro jogo, que, no caso de Portugal, será a 9 de Junho, frente à Alemanha.

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