Colunista
Jorge Figueira
Arquitecto e professor de História e Teoria de Arquitectura na Universidade de Coimbra, o meu trabalho consiste em perceber o que nos dizem os edifícios, se é que falam, o que não está provado. Gosto e estudo lugares-comuns: a Escola do Porto; o pós-modernismo; as mulheres na arquitectura; o Brasil; a arquitectura americana. Tenho em relação aos arquitectos a melhor opinião, mas pode mudar a qualquer momento e muda. Falando ou escrevendo sobre edifícios e cidades, devo ter desenvolvido – suponho que todos os arquitectos desenvolvem – uma afectividade particular, talvez um pouco delirante. De tanto falarmos e tratarmos com pedras, somos loucos por pessoas. É essa a especificidade onde me reconheço: ser, à custa de lidar com betão armado, obcecado por quem se mexe, fala, e governa países.
