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Mas onde é que eu escrevi que a Europa foi o berço da civilização? Que não houve outras culturas superiores no passado, como certamente haverá no futuro? Importam-se de ler o que está escrito, e não aquilo que aparentemente pensam que escrevi? É que está logo no título do primeiro texto: “culturas superiores”, não “cultura superior”.
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Chama-se debate de ideias. E eu gosto.
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Ora essa, não só posso ser desafiado como respondo aos desafios. É isso o debate democrático e a isso me leva o respeito pela inteligência dos meus leitores.
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Até porque a cultura vem do espaço, como o super-homem. Seja como for: a minha definição de cultura estava identificado no texto. Não fui eu que tive azar. São as pessoas que começam a ter dificuldade em ter uma discussão racional.
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Proponho que defina cultura da seguinte forma: “Aquele conjunto de valores de uma determinada sociedade que não podemos hierarquizar; aqueles que podermos hierarquizar, chamamos outra coisa qualquer, como civilidade ou tecnologia”. Com esta definição de cultura, eu concordo consigo. Mas como fui eu que escrevi o primeiro texto, era da minha definição de cultura que se estava a falar.
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De onde é que você retira do meu texto a defesa de que as culturas superiores são sempre as mesmas? Claro que não são. Tempos houve em que a cultura fenícia foi dominante, depois a grega, a romana, a árabe e por aí fora. Existe competitividade também a este nível, e certas culturas vão superando outras. A pergunta que deve ser feita é: porque é que um texto que diz aquilo que qualquer criança aprende na escola causa tanta indignação no espaço público actual? Essa é que é a pergunta gira.
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Está escrito no quatro parágrafo no texto. Mas posso repetir aqui: "'superior' no sentido de acreditar que há certos tipos de cultura que oferecem às sociedades que a cultivam mais oportunidades para todos os seus membros e uma maior liberdade para cada indivíduo poder ser aquilo que deseja."
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Pois é, Mário, mas eu escrevi este texto precisamente porque acho muito importante podermos dizer “o lugar onde vivo é melhor do que o teu” sem que isso signifique “eu sou melhor do que tu”. É isso que permite a boa assimilação, impedindo ao mesmo tempo o racismo, por um lado, e o multiculturalismo radical, por outro.
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Eu não estou a confundir nada, meu caro. Se quiser chame-lhe “oportunidades civilizacionais” (que pelos vistos surgem de geração espontânea, desligada da cultura de cada país). Quando você fala dos cérebros indianos que vão para os EUA está a dizer o mesmo que eu. Os melhores lugares atraem as melhores cabeças do planeta. Não tem a ver com a qualidade das cabeças; tem a ver com a qualidade dos lugares.
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Diria, caro Pedro Pinto, que as imensas preocupações ambientais que hoje em dia existem não são um produto da nossa própria cultura? Acha que são as pessoas pobres dos países em vias de desenvolvimento que estão preocupadas com o uso do plástico?