Sub-30: Estraca, ou como a nova geração do hip-hop quer “construir um planeta novo”

A história que nos conta já vem riscada nas rimas de Trajectória. Na Afurada, antes do concerto no festival Marés Vivas, ouvimos da boca de Carlos Guedes as palavras que Estraca viria a atirar mais tarde a um grupo de jovens que as expelia de volta. Assim: "Trabalhos na padaria, vender bifanas no Cais / Passa um ano e aqui estou, nas promessas nacionais". O percurso do rapper de 21 anos está todo escrito a rimar — desde os 13 que Carlos usa o rap como “forma de escapatória”.

Escapatória de um “passado duro” no Bairro da Cruz Vermelha, no Lumiar; refúgio de “dias iguais”; asilo onde a “injustiça” não entra sem ser denunciada; pretexto para falar “dos problemas em casa, dos problemas dos amigos, dos problemas do mundo”. “Eu sempre usei as rimas como um diário, desabafava para ali.” Nem sempre abria o livro, mas “as coisas foram acontecendo aos poucos”. Para Estraca, “estava destinado”. Para quem o ouve, e deixa a opinião no YouTube, está aqui “a voz da nova geração do hip-hop nacional”.

Ocupou um lugar vazio “na cena interventiva”, estilo “que se tem perdido” no panorama nacional. Para isso, em Planeta Novo, vestiu um fato para "ouvir a voz do povo" e reconstruir uma "Terra falecida". Participou em projectos de activismo comunitário, como a Oficina Portátil de Arte e o Music For Humans Rights, um intercâmbio que levou em itinerância 50 músicos de cinco países diferentes. Este Verão, apresentou-se no Marés Vivas e a 9 de Agosto, quinta-feira, chega ao Sudoeste.

“É o melhor momento para o hip-hop.” E ele está pronto para gritar por uma nova geração. 

 

Estraca é um dos protagonistas da série Sub-30, em que o P3 dá a conhecer jovens músicos portugueses.