Mário Lino diz que o aeroporto no Montijo é uma opção "coxa"

O antigo ministro do governo de Sócrates referiu também a presença de aves migratórias no estuário do Tejo, que podem dificultar a circulação aérea.

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Mário Lino diz, também, que o Montijo é uma opção muito custosa MIGUEL MANSO

Mário Lino, antigo ministro das Obras Públicas do governo de Sócrates, pronunciou-se sobre o acordo entre o Governo e a ANA, que lança as bases para o aeroporto complementar do Montijo. Numa entrevista à TSF, nesta quarta-feira, o antigo ministro classificou a escolha como “coxa” e “não racional”.

Mário Lino afirmou que os estudos que consultou, enquanto fazia parte do governo, apontavam para o Montijo como uma solução “não racional” por ser “muito custosa”. Diz que a proximidade geográfica ao aeroporto de Lisboa, também ele de média dimensão, faz com que os custos de “andar com passageiros e bagagens de um lado para o outro” sejam muito elevados.

“Cada um deles tinha de ter um número de passageiros muito elevado”, justifica Mário Lino. 

Durante a sua passagem pelo Governo, entre 2005 e 2009, Mário Lino não apoiou a escolha do Montijo para receber o novo aeroporto complementar, sendo que a sua preferência oscilou entre a Ota e, mais tarde, Alcochete, por ter ficado provado que era a solução mais viável.

Em 2007, a frase “Margem Sul, jamais [em francês], com a qual se mostrou contra um aeroporto na margem Sul do Tejo, gerou polémica. Mário Lino defendeu-se novamente, dizendo “Eu citei apenas o que me tinham dito, a frase não é minha”. 

A pista do Montijo não tem capacidade para receber aviões de longo curso e que, a acontecer alguma coisa no Aeroporto de Lisboa, os aviões teriam de ser desviados, como acontece actualmente, para os aeroportos de Porto ou Faro o que, na prática, não cria novas opções. 

O antigo Ministro das Obras Públicas lembra ainda que a zona do estuário do Tejo é o destino de algumas espécies de aves migratórias que poderão causar problemas à circulação aérea. Nos estudos a que Lino teve acesso, conclui-se que havia “milhares de aves todos os anos, durante o período de um mês ou dois” e o antigo Ministro ironiza: “Não se pode andar a dar tiros para os matar a todos, nem andar com os aviões no meio dos pássaros”.

Apesar das críticas à escolha do Governo, salienta que o Aeroporto de Lisboa há muito esgotou as suas opções. No entanto mantém a posição que adoptou enquanto fazia parte do Governo e diz que a Ota ou Alcochete seriam melhores escolhas.

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