Curso de Comandos retomado com 17 desistências

Porta-voz do Exército diz que só por “pura especulação” se pode dizer que abandono teve origem nas duas mortes registadas.

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Manuel Gomes

O curso de Comandos do Exército, que havia sido interrompido após a morte de dois militares e o internamento hospitalar de outros nove, foi retomado esta quinta-feira, mas com menos instruendos: houve 17 homens que desistiram.

O porta-voz do Exército, o tenente-coronel Vicente Pereira, diz que só por “pura especulação” se pode dizer que foram os óbitos – que ocorreram após o exercício físico violento praticado sob elevadas temperaturas – a motivar as desistências. “No final de cada curso de Comandos há, em média, 45% de eliminações e desistências”, assegura este responsável, embora sem conseguir detalhar quantos instruendos tinham já decidido abandonar a formação por esta altura no último curso efectuado pelo Exército.

“Por isso, estas desistências são vistas com normalidade”, acrescenta Vicente Pereira. “O padrão de desistências nesta fase inicial da formação está dentro do padrão dos cursos anteriores. E é expectável que surjam mais até ao seu final – e que alguns militares sejam eliminados por falta de condições para continuarem o curso”. 

Apenas um dos que desistiram tinha a categoria de oficial. Quatro sargentos e 12 soldados também optaram por se ir embora. O curso tem uma duração de 12 semanas e os instruendos “não precisam de justificar” o abandono, explica o tenente-coronel. A estes militares de profissão basta-lhes dizer que se querem ir embora para regressarem ao quartel em que estavam colocados antes de se inscreverem.

Quando o curso começou, no início de Setembro, contava com 67 instruendos. Foi agora retomado já só com 46, uma vez que dois dos homens ainda não se encontram em condições de regressar. Um deles apenas teve alta do Hospital das Forças Armadas nesta quinta-feira, enquanto o outro continua internado no serviço de medicina da mesma unidade, mantendo, segundo o Exército, "um quadro de melhoria". O curso foi reiniciado depois de exames ao estado físico dos instruendos.

A primeira vítima mortal tinha 20 anos e sucumbiu ao treino que decorria no campo de tiro de Alcochete a 4 de Setembro, devido a um "golpe de calor". Segundo o Exército, registavam-se  40,7 graus centígrados no local. Seguiu-se a morte de um colega da mesma idade. O sucedido fez desencadear investigações quer por parte do Estado-Maior do Exército, quer por parte do Ministério Público. 

As mortes de Dylan da Silva e Hugo Abreu foram também lamentadas pelo Presidente da República. "Há uma garantia que já dei, e que o ministro da Defesa e o general Chefe de Estado Maior das Forças Armadas também já deram: é que será tudo apurado até às últimas consequências. Para se retirarem lições para o futuro", disse Marcelo Rebelo de Sousa, que visitou os militares hospitalizados e assegurou não estar em causa a extinção dos Comandos. Esse apuramento de responsabilidades será "comunicado aos portugueses" , garantiu ainda o Presidente.

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