Menezes diz um não "irreversível" à Câmara de Gaia

Afastado da vida política activa há três anos, ex-autarca afasta candidatura sugerida por Marques Mendes e diz que um dia explicará em detalhe porque evoluiu “para este estado de alma e porque tal se consolidou nestes últimos três anos”

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Luís Filipe Menezes afastou-se da vida político-partidária depois da derrota eleitoral no Porto, em 2013, mas com a proximidade das eleições autárquica há quem olhe para o antigo presidente do PSD como o “único candidato” capaz de reconquistar a Câmara de Gaia, à qual presidiu durante 16 anos.

O nome de Luís Filipe Menezes foi sugerido domingo por Marques Mendes no seu habitual comentário semanal na SIC-Notícias. O antigo líder do PSD entende que as câmaras do Porto, Gaia e Gondomar “estão perdidas” para os sociais-democratas, mas sublinhou que o partido pode voltar a ganhar a autarquia se Menezes se candidatar de novo. A resposta chegou dois dias depois. É negativa e irreversível.

O ex-autarca escolheu a sua página pessoal de Facebook para responder: “Em Setembro de 2013 fui derrotado no Porto. Aceitei com tranquilidade o veredicto popular e fiz uma firmação peremptória: ‘nunca mais me candidatarei a um cargo político electivo’”. “Agora, na recta que conduz às eleições autárquicas de 2017, são muitos os apelos a um regresso a Gaia e, até esta semana, Marques Mendes, perante centenas de milhar de cidadãos, defendeu, um cenário que pré-prognosticou de desastre para o PSD, que eu seria o único candidato susceptível de vencer um das quatro maiores câmaras para a actual oposição”, refere o post.

Com uma ponta de ironia, diz: ”Por tudo isto, e porque os tabus são em política o pior dos exercícios de arrogância antidemocrática, esclareço no momento próprio a minha posição. Nunca fui do género de dizer uma coisa num dia e outra no dia seguinte. Tal como afirmei em 2013, é irreversível a posição de nunca mais querer nada com disputas políticas pessoalizadas”.

Autarca de sucessivas maiorias absolutas, Menezes esclarece que “esta clarificação é também um sinal de respeito para com os 300 mil gaienses, que tanto e durante tanto tempo – frisa - me apoiaram incondicionalmente e também para com a minha área política de origem, que não alieno”. Através das redes sociais, lança um desafio à sua área política que – acentua – “tem o direito e o dever de encontrar, sem constrangimentos, uma alternativa mobilizadora e ganhadora”.

O final reserva-o para dizer que não se identifica com a liderança da actual câmara. “É verdade que entre mentiras, provocações e incapacidade, tem sido feito de tudo um pouco para aguçar a minha vontade de ajudar e desalojá-los de um pedestal para que não têm dimensão”. Mas Menezes não cede “a tal impulso emocional”. “Isso seria contrariar princípios que sempre me nortearam: só deve ir a jogo quem tem a convicção de que o deseja muito e que tem condições circunstanciais para fazer algo de positivo por uma comunidade. Não é, por vontade própria, a minha posição nesta fase da minha vida”. Mas deixa um tabu. “Um dia explicarei em detalhe porque evoluí para este estado de alma e porque tal se consolidou nestes últimos três anos”.

Tanto a distrital do Porto como a concelhia de Gaia do PSD recusaram-se a comentar o assunto.

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