Guia para a noite eleitoral no Brasil

Este domingo mais de 156 milhões de brasileiros escolhem o seu Presidente. Mas em 12 estados também se escolhe o governador.

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Mais de 156 milhões de brasileiros votam este domingo Antonio Lacerda / EPA

A que horas começam a ser conhecidos os resultados?

As urnas fecham em todo o território brasileiro às 17 horas de Brasília (mais três horas em Portugal continental). A partir desse momento, os resultados começam a ser contabilizados e divulgados em tempo real, mas é provável que seja necessário aguardar algumas horas até que seja possível perceber com alguma segurança quem será o vencedor. Na primeira volta, a 2 de Outubro, o processo de contagem foi bastante lento porque a forte afluência perto da hora de fecho em várias mesas de voto obrigou ao prolongamento da votação.

Porque alguns estados divulgam os votos primeiro?

Na primeira volta das eleições brasileiras, no início do mês, foi visível que as votações dos vários estados estavam a entrar em blocos diferenciados: os primeiros votos divulgados vinham das regiões Sul e Sudeste; depois começaram a ser contabilizados os do Centro e Oeste do país; e, por fim, os votos do Nordeste e Norte. E as percentagens para cada candidato vão sendo influenciadas por isso, já que como é visível nos mapas da primeira volta, o apoio a Lula da Silva e Jair Bolsonaro tem importantes variações regionais.

O secretário de Tecnologia da Informação da Corte Eleitoral, Julio Valente, explica na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as razões das diferenças entre estados na rapidez da contagem, que se repetem em todas as eleições.

Três factores podem gerar lentidão na transmissão dos dados das urnas electrónicas para a contabilização no TSE.

  • O primeiro é a quantidade de cargos que vão a votos, que influencia o tempo que cada eleitor demora a votar, e a afluência. Quando existem filas à hora do fecho das urnas, são distribuídas senhas e a votação continua até que a última pessoa na fila vote — só então a urna fecha, o Boletim de Urna é impresso e os dados são transmitidos para a Justiça Eleitoral;
  • O segundo motivo está ligado às limitações da infra-estrutura de telecomunicação — da capacidade de processamento dos computadores disponíveis para a transmissão dos dados, bem como a estabilidade e a velocidade da rede de dados local na ligação com o TSE. Segundo Julio Valente, os problemas são recorrentes sobretudo em regiões mais pobres nos estados das regiões Norte e Nordeste e em partes do Centro-Oeste.
  • O terceiro factor já ocorre em Brasília, no Centro de Processamento de Dados do TSE. Os que chegam primeiro são processados primeiro e os outros ficam em fila já que a capacidade de processamento não é infinita. “Como tudo chega no TSE ao mesmo tempo e na mesma estrutura de dados, às vezes, 30 segundinhos que se leve para conectar depois da votação já são suficientes para que tenham entrado mais de 50 mil Boletins de Urna na frente”, salienta Julio Valente.

Vota-se apenas para Presidente?

Não. Há 12 estados em que há segunda volta para a eleição de governador. São eles Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondónia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Os restantes 14 estados e o Distrito Federal elegeram os seus governadores logo à primeira volta.

O voto é obrigatório?

Sim. O voto é obrigatório para os eleitores com idades entre os 18 e os 70 anos e opcional para quem tenha entre 16 e 18 anos ou mais de 70. Quem não for votar tem um mês para apresentar uma justificação para evitar o pagamento de uma multa de 3,51 reais (0,67 euros). Os eleitores que não apresentem justificação – ou que esta não tenha sido aceite – também sofrem várias punições administrativas enquanto a multa não for paga, incluindo a impossibilidade de tirar ou renovar o passaporte e o cartão de identidade, ou participar em concursos públicos.

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