Abandonar esquadras durante meia hora ou fazer greve de zelo ao trânsito. Polícias vão escolher o próximo protesto

Associação Sindical dos Profissionais da Polícia lança repto aos polícias e aos restantes sindicatos da PSP. Teme que tutela coloque agentes doentes a fazer serviço na rua.

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“Vamos ter polícias doentes na rua, alguns deles com problemas oncológicos”, avisa o líder da associação sindical Nicolau Botequilha

Abandonar as esquadras durante meia hora por dia durante uma semana, ficando à porta em silêncio, é uma das formas de protesto que os polícias poderão vir a adoptar durante o mês que vem. A realização de greves de zelo também está em cima da mesa.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) está a auscultar sócios e não sócios para saber que forma de luta adoptar pela dignificação profissional da classe. Além da revisão das tabelas remuneratórias, está em causa a intenção do Ministério da Administração Interna de pôr a prestar serviço na rua agentes que estão nas secretarias.

“Vamos ter polícias doentes na rua, alguns deles com problemas oncológicos”, avisa o líder da ASPP, Paulo Santos.

Num comunicado dirigido a toda a classe, a associação fala num “efectivo exausto, desmotivado e envelhecido” e numa instituição “com constantes constrangimentos operacionais, limitações orçamentais, fraca capacidade de gestão e uma cultura gestora algo provinciana”, cujos problemas têm sido alvo de “tentativa de branqueamento por via das diversas campanhas comunicacionais promovidas pelo poder político e amparadas pela direcção nacional” da PSP. Mas também na apatia e resignação de muitos dos que “diariamente sofrem na pele as consequências” desta situação.

“Não podemos continuar a assistir aos colegas a tombar em serviço ou a colocar termo à vida (…) É, na nossa opinião, o momento de os polícias dizerem ao que pretendem ir, demonstrarem querer mudar”, prossegue o comunicado, que enumera cinco possíveis formas de luta.

A primeira passa então por os agentes abandonarem as instalações policiais nas quais trabalham, colocando-se no seu exterior, em silêncio, entre as 13h e as 13h30, durante uma semana. A segunda e a terceira hipótese são levar a cabo greves de zelo — o sindicato chama-lhes “atitude pedagógica” — no policiamento rodoviário ou no serviço relacionado com criminalidade.

Aqui, a ideia é que também durante uma semana os polícias apenas saiam da esquadra para serviço considerado urgente, como roubos ou outros crimes graves, deixando de lado chamadas motivadas por exemplo por queixas relacionadas com excesso de ruído. A última hipótese é fazer uma manifestação clássica a nível nacional.

Os agentes poderão expressar a sua opinião numa plataforma online ou então fazê-la chegar aos dirigentes sindicais. “Este apelo, repto e convite é dirigido a todos os polícias, a todos os sindicatos, a todos os que vertem as suas visões nas redes sociais, a todos os que pretendem combater o actual estado da PSP”, realça a associação sindical, que pediu formalmente ao ministro da Administração Interna a abertura de um processo negocial para discutir tabelas remuneratórias.

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