Morreu Isabel II, a rainha mais duradoura da História britânica

A monarca que esteve 70 anos no trono britânico morreu esta quinta-feira, aos 96 anos. Sucede-lhe o filho mais velho, que adoptará o título de Carlos III.

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Isabel II reinou durante 70 anos Chris Jackson/Pool via REUTERS/File Photo
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Isabel II reinou durante 70 anos Pool/Reuters
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Isabel II em 2018 EPA/ANDY RAIN

Isabel II, a Rainha de Inglaterra, morreu esta quinta-feira aos 96 anos. Foi a monarca com o reinado mais longo da História britânica e, a nível mundial, a sua longevidade no trono só ficou atrás da do rei francês Luís XIV. O Palácio de Buckingham anunciou a morte “pacífica” ao fim da tarde, no Twitter, após mais de cinco horas de apreensão no Reino Unido sobre o seu estado de saúde.

O palácio tinha revelado a meio da manhã que, após “avaliação profunda”, a equipa médica da rainha se encontrava “preocupada” com a sua saúde, recomendando-lhe que permanecesse “sob supervisão médica”. O comunicado era parco em palavras, mas os quatro filhos da monarca e o neto William apressaram-se a chegar ao Castelo de Balmoral, na Escócia, onde a rainha passou o Verão, o que dava uma ideia da gravidade da situação.

Também o príncipe Harry, que já se encontrava no Reino Unido, cancelou a sua agenda para se dirigir a Balmoral, onde entrou já depois do anúncio oficial da morte da rainha.

O primeiro canal da BBC suspendeu toda a programação durante a tarde e pelas 18h30 interrompeu a emissão para dar a notícia. Seguiu-se a transmissão do hino nacional britânico com uma imagem da rainha em fundo. Os pivôs e jornalistas de todas as estações televisivas rapidamente vestiram roupas e gravatas negras.

Carlos, o filho mais velho de Isabel II, passou a ser imediatamente o novo Rei de Inglaterra, adoptando o título de Carlos III. Segundo o comunicado da família real, ele e a mulher Camilla Parker-Bowles, que passará a ser rainha consorte, ficarão em Balmoral esta noite e deslocam-se para Londres na sexta-feira. Está em marcha um plano preparado ao milímetro para os próximos dias, que culminará na coroação de Carlos.

Em comunicado, o novo monarca diz que este “é um momento da maior tristeza” e de “luto profundo por uma soberana acarinhada e uma mãe muito amada”.

À porta do número 10 de Downing Street, a nova primeira-ministra britânica classificou a rainha como “a pedra sobre a qual a Grã-Bretanha moderna foi construída”, transformando o Reino Unido numa “nação moderna, vibrante e dinâmica”. A indigitação de Liz Truss como nova chefe do Governo britânico, a 15.ª do reinado de Isabel II, foi um dos últimos actos oficiais da monarca. A primeira-ministra diz que Isabel foi “uma inspiração pessoal” para ela e “um exemplo para todos”. Na curta declaração, também manifestou apoio ao rei Carlos, pedindo aos britânicos que lhe mostrem “lealdade e devoção”.

Esta manhã, Liz Truss encontrava-se no Parlamento a apresentar o seu plano para fazer face à escalada dos preços de energia quando um burburinho tomou conta da Câmara dos Comuns, onde a primeira-ministra recebeu uma nota manuscrita que os jornalistas pensam que continha novidades sobre o estado de saúde da rainha. Também o líder trabalhista, Keir Starmer, recebeu um bilhete semelhante.

A preocupação com a saúde da suserana vinha aumentando nos últimos meses e os médicos aconselharam-na por várias vezes a repousar e a diminuir a sua actividade oficial. Ainda na quarta-feira, Isabel II adiou uma reunião online do Conselho Privado (órgão formal constituído por políticos seniores que aconselham os monarcas nas suas tomadas de decisão). Um porta-voz de Buckingham explicou que “depois de um dia cheio”, em que recebeu Boris Johnson e Liz Truss, Isabel II tinha decidido aceitar o conselho dos médicos.

A rainha passava as suas férias no Castelo de Balmoral, e, esta semana, quebrou a tradição ao indigitar ali, e não na sua residência oficial na capital inglesa, a nova primeira-ministra, depois de ter sido aconselhada pelos médicos a não fazer a viagem até Londres.

Apesar da chuva intensa que caiu em Londres a partir do meio da tarde, centenas de pessoas foram-se concentrando em frente ao Palácio de Buckingham, onde estão depositadas muitas velas e flores. Junto ao castelo de Windsor, no qual a rainha passou grande parte dos últimos dois anos e onde era muito acarinhada pela população local, houve também manifestações de pesar, com muitos a quererem deixar uma homenagem no local.

Reacções de todo o mundo

​O Presidente da República português publicou rapidamente uma nota de condolências no site da Presidência. Marcelo Rebelo de Sousa recorda Isabel II como “um exemplo de coragem, de dedicação, de estabilidade e de inabalável sentido de serviço público”. O Presidente evoca os “históricos e inquebrantáveis laços de amizade” entre Portugal e o Reino Unido, fazendo menção às duas visitas que a monarca realizou a Portugal, em 1957 e 1985. “Para mim, pessoalmente, não poderei esquecer a honra do encontro mantido aquando da minha deslocação a Londres, já em 2016”, acrescenta Marcelo.

Emmanuel Macron, o Presidente francês, também foi um dos primeiros chefes de Estado a manifestar pesar, primeiro publicando no Twitter apenas uma imagem da rainha britânica, depois escrevendo que Isabel II foi “uma amiga de França” e “uma rainha bondosa”.

O Papa Francisco, os ex-Presidentes americanos Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump, o secretário-geral da ONU, António Guterres, bem como os Presidentes da Ucrânia e da Alemanha, também emitiram notas de pesar.

“Num mundo em constante mudança, ela foi uma presença firme e uma fonte de conforto e orgulho para gerações de britânicos”, escreveu o actual inquilino da Casa Branca. Joe Biden lembra Isabel II como “a primeira monarca britânica com quem pessoas de todo o mundo conseguiram sentir uma ligação pessoal e instantânea”.

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