Comissão Europeia encomendou 110 mil doses de vacinas contra varíola-dos-macacos: chegam no final de Junho

Comissária europeia para a Saúde confirmou a encomenda de 110 mil doses da vacina contra a varíola-dos-macacos. Em Portugal há 209 casos confirmados, mas ainda não há qualquer decisão sobre uma eventual campanha de vacinação. Só em países da União Europeia existem quase 900 infectados.

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A vacina da Imvanex, empresa dinamarquesa que deverá fornecer as 110 mil doses à União Europeia Reuters/CHRISTINNE MUSCHI

A comissária europeia para a saúde, Stella Kyriakides, afirmou esta terça-feira que a União Europeia assinou um acordo para o fornecimento de 110 mil doses de vacinas contra a varíola-dos-macacos. De acordo com Stella Kyriakides, as vacinas serão entregues no final de Junho.

Pouco depois do anúncio, foi revelado que o fornecedor será a Bavarian Nordic. Já este mês tinham sido anunciadas negociações com a empresa dinamarquesa, que tem fornecido outros países europeus como Alemanha ou Espanha. O pagamento das vacinas será feito através de fundos da União Europeia.

Quando à distribuição pelos países com casos confirmados, as mesmas serão distribuídas proporcionalmente de acordo com a população, começando com os países com necessidades mais urgentes. As vacinas vão começar a ser entregues brevemente, sendo que todas as doses estarão distribuídas nos próximos meses, de acordo com o comunicado da Bavarian Nordic.

Esta terça-feira, com mais de 1400 pessoas infectadas em países onde a doença não é endémica, Portugal era o país com mais casos confirmados por milhão de habitantes (com 231 infectados). Só em países da União Europeia existem quase 900 infectados.

A Imvanex, nome da vacina da Bavarian Nordic na Europa, não é uma vacina exclusivamente contra a varíola-dos-macacos. Esta vacina foi aprovada para conferir protecção contra a varíola humana em 2013, sendo que parece também ter eficácia contra a varíola-dos-macacos (monkeypox ou VMPX). Nos Estados Unidos, onde recebeu o nome de Jynneos, a vacina está aprovada para ambas as doenças.

A vacina tem uma vantagem em relação a outras gerações de vacinas contra a varíola - daí ser cunhada de vacina de terceira geração. A Imvanex tem uma forma modificada do vírus, mas que não causa doença nos humanos e não se consegue reproduzir nas células humanas. Mas, devido à sua parecença com o vírus da varíola, prevê-se que os anticorpos produzidos contra esse vírus também possam dar protecção contra o VMPX.

Portugal à espera

Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) indicou que a coordenação do Programa Nacional de Vacinação, a Comissão Técnica de Vacinação e o Infarmed estão a estudar os aspectos referentes à potencial estratégia de vacinação, em articulação com autoridades europeias e internacionais.

Até esta terça-feira, não havia qualquer novidade sobre este tema, numa altura em que Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido ou Alemanha já começaram a vacinar os contactos próximos e profissionais de saúde.

A compra conjunta de vacinas contra a varíola-dos-macacos já tinha sido anunciada no final do Maio pela porta-voz da DGS para este surto, Margarida Tavares. Em relação aos cenários de vacinação, a infecciologista avançava, em Maio, com a hipótese de vacinar “pessoas que possam ser expostas e ter um risco acrescido, como, por exemplo, doentes imunocomprometidos ou profissionais de saúde.”

A opção da DGS e dos especialistas em vacinação que estão a estudar a estratégia de vacinação deverá manter-se, com o potencial acréscimo dos contactos de risco dos casos confirmados - à imagem do que já acontece noutros países. As estratégias de vacinação têm sido todas equivalentes, com vacinação em anel (administração de doses aos contactos próximos) e também aos profissionais de saúde.

Apenas o ministro da saúde alemão recomendou também a vacinação de homens que tiveram sexo com múltiplos parceiros - recorde-se que o Centro Europeu de Controlo de Doenças reforçou no final de Maio que o risco de infecção é maior para todas as pessoas com múltiplos parceiros.

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