Vacinação protege adolescentes contra síndrome inflamatória pós-covid-19

Estudos dos CDC norte-americanos avaliam efeitos da vacina da Pfizer-BioNtech nas sequelas da infecção no grupo etário dos 12 aos 18 anos e quais os efeitos secundários nas crianças dos cinco aos 11 anos, concluíndo que são bastante seguras.

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Novos estudos concluem que vacinas da covid-19 são bastante seguras nas crianças Daniel Rocha

A administração da vacina da Pfizer-BioNtech a adolescentes entre os 12 e os 18 anos dá uma protecção de 91% contra a síndrome inflamatória multissistema temporalmente associada à infecção pelo SARS-CoV-2 (PIMS-TS, como é conhecido na Europa, ou MIS-C, nos Estados Unidos), uma doença que afecta crianças que tiveram covid-19, semanas depois da doença, e que pode até necessitar de hospitalização. A conclusão é de um estudo dos Centros de Controlo e Prevenção das Doenças (CDC) dos Estados Unidos, publicado já este ano.

O estudo centrou-se nesta faixa etária porque, enquanto decorreu – de 1 de Julho a 9 de Dezembro, com dados de pacientes de 24 hospitais em 20 estados norte-americanos –, a vacina não tinha ainda sido autorizada para a faixa etária inferior, dos 5 aos 11 anos.

Mas os autores do estudo publicado na revista Morbidity and Mortality Weekly Report, dos CDC, sublinham que tomar duas doses desta vacina é algo extremamente eficaz para evitar a PIMS-TS na faixa etária dos 12 aos 17 anos, um estado hiperinflamatório multissistémico que geralmente começa duas a seis semanas depois de uma infecção leve ou assintomática com o vírus SARS-CoV-2, que causa a covid-19.

As crianças entre os cinco e os 11 anos, que agora já foram autorizadas a serem vacinadas, representam neste momento o grupo que corre maiores riscos de sofrer desta síndrome, dizem os cientistas no artigo, que tem como principal autora Laura D. Zambrano, da Equipa de Resposta à Covid-19 dos CDC. “Esta análise fornece provas de que a vacinação de crianças e adolescentes é altamente protectora contra MIS-C e covid-19, e sublinha a importância de vacinar todas as crianças elegíveis”, escreve a equipa.

Outro estudo publicado na mesma revista dos CDC analisou os resultados de dois sistemas existentes nos EUA para reportar efeitos secundários de medicamentos para analisar o que se passou com a vacina da Pfizer-BioNtech depois de esta ter sido autorizada para crianças entre os cinco e os 11 anos, a partir de 29 de Outubro de 2021 (na Europa a Agência Europeia de Medicamentos aprovou a vacina pediátrica a 25 de Novembro). Concluiu que 97% dos efeitos secundários reportados não se podem considerar graves.

Após a administração de cerca de oito milhões de doses, os cientistas concluem que os efeitos secundários são na sua maioria ligeiros (86,2%, muitos deles relacionados com erros de administração, e que não interferem com as actividades normais do dia-a-dia) ou moderados ou (66,6%, que têm alguma interferência nas actividades diárias).

Foram reportadas duas mortes de crianças, uma de cinco e outra de seis anos, após a vacinação, que estão a ser objecto de análise. “Mas ambas tinham histórias médicas complicadas e tinham um estado de saúde frágil antes da vacinação. Nenhum dado sugere a existência de uma associação causal entre a morte e a vacinação”, escrevem os cientistas no estudo, que teve como primeiro autor Anne Hause, da equipa de resposta à covid-19 dos CDC.

Uma preocupação com as vacinas de ARN-mensageiro, como é o caso da vacina da Pfizer-BioNtech, é a possibilidade de se registarem miocardites (inflamação do músculo cardíaco), que parece ser mais elevada em rapazes dos 12 aos 29 anos. Até agora, dizem os cientistas, a miocardite parece rara em crianças entre os cinco e os 11 anos; houve 11 relatos verificados de miocardite numa das bases de dados usadas, entre oito milhões de vacinas administradas. Noutra base de dados, que implicava a participação activa dos pais das crianças vacinadas, não foi registado nenhum caso, após 333 mil vacinas administradas.

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