Mulher de João Rendeiro quis prestar declarações ao juiz de instrução

Maria de Jesus Rendeiro foi detida, na quarta-feira, no âmbito de uma investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Esta tarde pediu para ser ouvida pelo juiz para primeiro interrogatório.

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Maria de Jesus Rendeiro chegou ao Campus da Justiça, em Lisboa, para ser presente a um juiz de Instrução Criminal para primeiro interrogatório por volta das 13h30​. Foi identificada e de seguida esteve com os seus advogados a consultar o processo. Horas depois, às 17h, voltou a entrar na sala onde está o juiz e anunciou que queria prestar declarações, coisa que estará ainda a fazer neste momento. Só no final o juiz decretará a medida de coação a aplicar-lhe. A mulher de João Rendeiro foi detida, na quarta-feira, no âmbito de uma investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

Em causa estão suspeitas de branqueamento de capitais num esquema que teria como finalidade ocultar a fortuna de João Rendeiro, em que terão colaborado também dois amigos próximos do ex-banqueiro, Florêncio de Almeida, presidente da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), e o filho deste com o mesmo nome que foi seu motorista durante décadas.

Durante a detenção de Maria de Jesus Rendeiro foram feitas várias buscas domiciliárias que incluíram, por exemplo, a sua moradia na Quinta Patino, em Cascais, assim como a residência e outras propriedades do presidente da ANTRAL e do filho.

Para o Ministério Público, tudo terá sido feito com a conivência de Maria de Jesus Rendeiro que ainda responde pelo facto de terem desaparecido 12 das 124 obras que foram arrestadas, em Novembro de 2010, ao marido e das quais era fiel depositária.

Motivo que levou a juíza Tânia Loureiro Gomes ­- que condenou João Rendeiro a dez anos de prisão efectiva, por crimes de fraude fiscal, abuso de confiança e branqueamento de capitais, num processo em que está em causa a apropriação indevida de mais de 31 milhões de euros do BPP - a condena-la a pagar uma multa de 1020 euros, o equivalente a dez unidades de conta (UC), por não ter esclarecido o tribunal sobre o paradeiro das obras em falta, alegando não ter condições psicológicas para o fazer.

A mulher do ex-banqueiro chegou a chorar em tribunal.

No caso da família de Florêncio de Almeida, ao que o PÚBLICO apurou, o Ministério Público suspeita de que o apartamento na Quinta Patino, em Cascais, comprado pelo motorista por 1,1 milhão de euros, é, na verdade, do próprio banqueiro.

Como já foi noticiado em Dezembro de 2020, o filho do presidente da ANTRAL prometeu em contrato-promessa alienar o usufruto do apartamento à mulher de João Rendeiro, por pouco mais de 200 mil euros e por um período de 15 anos.

A forma como motorista de João Rendeiro obteve o dinheiro para comprar o luxuoso apartamento na Quinta Patino também é curiosa.

A história começa em 2015, quando o pai, que é o presidente da ANTRAL, comprou todos os imóveis herdados por João Rendeiro depois da morte dos pais deste: duas casas em Lisboa e dois terrenos no concelho de Murtosa.

Segundo o programa Sexta às 9, da RTP, uma dessas casas que o patrão da ANTRAL, alegadamente, adquiriu e que fica em Campo de Ourique, em Lisboa, rendeu a Rendeiro pouco mais de meio milhão de euros.

O MP quer saber se o patrão da ANTRAL pagou efectivamente o valor ou se o dinheiro era na realidade do ex-banqueiro e foi um negócio simulado.

Três anos depois, no dia 11 Setembro de 2018, o casal, Florêncio Almeida e Dolores Correia doou essa casa ao filho, Florêncio Correia de Almeida, que no dia seguinte a vendeu a uma empresa denominada Turtle Quotidian por um milhão 166 mil 470 euros.

Foi esse valor que o filho do presidente da ANTRAL usou para comprar o tal apartamento na Quinta Patino e mais uma propriedade no Alentejo, em Alcáçovas, que também foi alvo das buscas da PJ esta quarta-feira.

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