Glam metal: a subtracção da culpa a um guilty pleasure

Tal como aconteceu com os Abba, afirmar em voz alta que se gostava de Mötley Crüe, Poison ou Guns N’Roses obrigava a medir as palavras. Dois livros com o mesmo título propõem agora a reapreciação de um género proscrito.

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Larry Hulst/Michael Ochs Archives/Getty Images

Nothin’ but a Good Time, o livro que Justin Quirk dedica ao glam metal, começa com a citação de um diálogo do filme The Wrestler. Randy ‘The Ram’ (Mickey Rourke, o wrestler) e Cassidy (Marisa Tomei, a stripper), ambos a lidar com os seus declínios, recordam com nostalgia os anos 1980 que lhes deram os Guns N’Roses e os Mötley Crüe. E lembram com azedume que, depois, “teve de vir aquele merdas do Cobain e dar cabo de tudo”. “Como se houvesse algo de errado em querermos divertir-nos.” Neste diálogo resume-se a ascensão e queda de um género extremamente popular nos anos 80 e que foi engolido de um trago assim que soaram os acordes de Smells like teen spirit, em 1991. O rock tornou-se então coisa séria, revoltado, existencialista, em recusa de qualquer artifício. O glam metal morria às mãos dos Nirvana e passava a ser proscrito.

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